terça-feira, 13 de outubro de 2009

NO FERIADO...


Deu a entender que minha paciência é limitadíssima, diante de todas as circunstâncias que me foram agraciadas durante esses três dias de pura e cansativa análise de mim mesmo. Resolvo que o melhor pra mim seria me distanciar do mato, lá não seria auspicioso para o que tinha em mente, na verdade, para já deixar claro, desejei um feriadão só pra mim, introspectivo é pouco para o que almejava, se eu escrevesse algo sobre esse meu desejo, venderia horrores, comparado às obras de Clarice Lispctor. Bom, continuando, resolvi vir para capital já que caso mudasse de idéia eu teria mais oportunidades de diversão, ao contrário do meio do mato, sem pessoas qualificadas que pudessem entender essa minha perspectiva. Antes de sair procurei saber se realmente todos que pra lá estava se dirigindo estariam naquele mesmo dia se afastando do meu refúgio momentâneo. Tudo garantido, era chegar e passariam direto, essa foi um dos grandes motivos para que eu resolvesse sair do meio do mato. Ledo engano, a lua que estava crescente mudou para quarto minguante e resolveram se estabelecer sem passar direto, resolveram, para minha indignação armar acampamento, acho que para testarem o meu nível de irritabilidade. Mas sempre no fim do túnel existe uma saída, e que saída. Amigos de coração existem justamente para adivinhar esses conflitos pelo qual passamos. Obvio que me ofereci para lá passar a noite, já que eu estava indo pra lá para tomar uma gelada, no mais, fizemos coisas agradabilíssimas, como por exemplo: comer, beber, conversar e ver filme, e que filme, na verdade era filme de terror, coisa que não me agrada nem um pouco. No outro dia logo cedo vou-me para casa realizar o que mais precisava, ficar só, explorar incondicionalmente a minha casa, com a certeza de que logo a noite encontraria com meus amigos para vermos uma peça. Dormir horrores, estava me sentindo exausto, acabado, mediante a quantidade de atividade mental utilizada durante a semana naquela mostra de projetos escolares, aquilo tudo me deixou exaurido. À noite estava me sentido ainda sonolento, mas resolvi ir ver a peça, sei lá uma risadinha pra finalizar a noite num seria uma má idéia. Humor escrachado, essa era a tônica do grupo de teatro que eu particularmente já tinha conhecido quando estava passeando por Penedo/Alagoas e achei um luxo, não pra me tornar fã, pois culturalmente não oferece porra de nada, é só pra ri mesmo, ri muito, o suficiente pra sair do stress diário. Bom pra finalizar a noite fui pra casa e dormir, dormir muito. No outro dia, o feriado de fato, choquei ovo, aff quanta preguiça fui acometido, pra não fazer almoço fui comprar biscoito recheado na mercearia aqui do lado, para se ter a noção do quanto podre eu estava. Penso que a semana que está por vir será também stressante, tenho que apresentar um projeto escolar da cultura afro-brasileira para os professores e para os alunos, mas em compensação o dia dos professores será quinta e comemoraremos na sexta-feira com uma viagem paradisíaca pelo litoral sergipano, sem contar o passeio dos alunos do 3º ano no domingo próximo também pelo litoral sergipano. Será de fato trabalhoso, mas compensador.





Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 6 de outubro de 2009

AÍ EU NÃO SEI!


Para você entender e você mesmo resolver. Você conhece um certo alguém, se envolve categoricamente com ele, em todos os sentidos, mas você não sente a mesma intensidade sentimental que ele sente por você. Ele vive te pedindo em namoro, mas você sempre sai pela tangente, certa vez você da uma chance para desencargo de consciência que obviamente não se prossegue por seus sentimentos serem reais e você não suportar enganar pessoas. Vocês se mantem relativamente distante por a leitura desses sentimentos não estarem sintonizados, você não querendo machucar ele e ele se afastando para não se magoar, só se aproximando em momentos de carência. Você se envolve com outra pessoa, se apaixona e se entrega de corpo e alma, tudo parecia perfeito quando a relação não dá certo, você sofre com a situação, de repente o outro surge e você se vê relativamente fragilizado, ele se aproveita dessa fragilidade ou você se joga nos braços dele pra minimizar a culpa e parte para o ataque, você não resiste, também torna-se conivente mas deixa as claras que seu amor não é ele. Após algum tempo ele se afasta, você sente-se culpada pelo banho de água fria jogada. Você entra numa de pegar geral, pegar todos, cada fim de semana uma cara nova, daí você encontra com ele e como de praxe ele quer saber como anda seu coração, você responde com sinceridade. Ele diz que ta numa ótima fase, e que está se envolvendo a dita pessoa você também conhece e você ainda mais com a consciência pesada, pois na semana passada você foi com ela para um motel e que fizeram sexo por exatamente trinta minutos. E agora, como devo agir?



Por: Alisson Meneses de Sá

domingo, 4 de outubro de 2009

EM NOVO ESTADO



Eis o meu novo ciclo de vida, as minhas novas perspectivas. É o ver o outro lado da moeda e visualizar um novo horizonte. A geração MSN denomina essa nova predisposição como sendo um ato de "piriguetagem", sim, trata-se de um neologismo não vinculado ao de Guimarães Rosa, mas sim aos antenados da contemporaneidade. É assim que defino essa minha nova fase, completamente liberta de qualquer paradigma anti-liberdade, ou seja, vivo o puro e verdadeiro momento de piguiretiador, se assim podemos verbalizar a ação, ou como diria os efêmeros machões civilizadores, me transformei num verdadeiro pegador. Essa definição se entende da seguinte forma: àquela pessoa que tem como objetivo tá sempre na balada, curtindo e que pra finalizar sua noite é preciso captar através de olhares, xavecos, enfim, um outro ser e assim promover o prazer carnal, sem se importar, obviamente com padrões estabelecidos. O lema para sintetizar o texto é: caiu na rede é peixe. Um fato que também vale ressaltar é quanto à despreocupação com o ligar no outro dia. É o ligar ou não. O pegador jamais liga no dia seguinte, correndo um grande risco de não repeti a mesma pedida numa outra oportunidade, caso ela surja, salvo algumas exceções como, por exemplo, a desenvoltura na cama. Essa é a minha vida, é assim que estou.

Por: Alisson Meneses de Sá

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ASSIM FOI BOM


Tão melhor preferível do que ficar em dúvida entre o mouse ou o pudim. Resolvi tomar tal medida e até o prezado momento, depois de tudo terminado, não vejo o menor sinal de arrependimento. Canalizei todos os meus desejos na mente com intuito de que tudo iria ser realizado e prazerosamente aproveitado, sempre subindo os degraus do saber.

Fiquei. Terminei o que pretendia quanto as pendências educacionais, enviei o que tinha de enviar a tempo. Fui ao cinema, ri em demasiado, rejuvenesci anos e anos. Comprei revistas e as li comedidamente. Fiz planos pro futuro, sempre com pé aterrizado no chão. Comprei e solicitei filmes, iniciando uma nova fase na coleção. Ouvi música e dancei loucamente numa boate lotadíssima de corpos sedentos. Conversei e ouvi muitas, mas muitas lamentações. Os aconselhamentos vieram em ordem gradativa, mediante o nível da complexidade. Consumi, coloquei no meu guarda-roupa mais uma das minhas manias: óculos de sol. Enfim transei, fiz sexo selvagem no meio da noite, saindo sorrateiramente pela tangente me deparei horas depois com meu corpo nu refletido no espelho do teto. Devorei a carne como se fosse um bárbaro devorador de carne humana.

Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 28 de julho de 2009

A FRIEZA

Era madrugada, estava completamente sem sono, depois de tentar fechar os olhos na cama, sem sucesso, resolvo que devo ir pra frente do computador fazer algo, para pelo menos ver se o sono chega, pois amanhã devo viajar a trabalho. Vou direto pro MSN e lá observo as pessoas que também vagam pela madrugada como eu. Mas o que mais me surpreendeu foi à frieza como fui tratado, por um alguém, esse será seu nome, que sempre me fez respirar amor, me fazendo acreditar que ele existe e que um dia eu poderia contar com o seu respirar. Vejam a frieza no nosso diálogo:

Um alguém - oi querido tudo bem?

Eu - olá.... tudo.. queria dormir

Um alguém - e pq não vai?

Eu - porque já sai da cama porque o sono não chega

Um alguém - hum... aí é foda. bem, tb tô sem sono, mas preciso fazer com que ele chegue e estou numa tosse danada, um incomodo danado. Bj. que seu sono chegue logo

Nem tive como responder, pois a dita criatura já tinha ficado offline. Nossa, o pior é que não dar pra medir a situação, o quanto essa frieza pra mim foi constrangedora e incômoda. Entendo que após tudo o que se passou entre nós, e já conhecendo perfeitamente como processa as informações, iria agir dessa forma ou pior, na verdade aquele dia, a beira mar, cantarolando canções de amor só pra eu escutar, como se estivéssemos num vazio, foi somente uma estratégia para não ficar sozinho, enquanto eu me debruçava em sentimentos vis, por ter sido deixado por outrem. Entendo. Mas fico magoado. E se assim for interessante para nos dois, que assim seja.

Por: Alisson Meneses de Sá

segunda-feira, 27 de julho de 2009

UMA NOITE COM MEDÉIA

Medéia nunca entendeu porque seu nome era esse, sabia somente que seu pai era um aficcionado pela literatura de Eurípedes e que seu nome era originário de uma de suas obras... Pobre Medéia.

Medéia estava exausta pelo dia cansativo que tivera, por conta do curso de bons costumes que sua mãe a forçava a fazer para assim ocupar sua mente, já que sempre ficava a arquitetar planos mirabolantes e desde criança era tida como criança travessa e encapetada, pelas brincadeiras sempre regadas a terror. A noite tinha chegado, era um dia de domingo, pois tinha acabado de chegar do curso de bons costumes e o módulo tratava de ensinar as moçoilas casadoiras a pintar figuras com tinta guache, sempre adornando em panos de prato ou panos decorativo para mesa, Medéia achava tudo aquilo tedioso, mas tinha que cumprir, pois seu boletim de comportamento e freqüência era mensalmente enviado para Rua da Aurora, 1419, onde morava desde os 14 anos de idade. Ao acordar, após um sono de descanso, Medéia resolve que precisa sair urgentemente de casa, sua mãe estava a receber alguns parentes e a casa ficava minúscula diante de toda aquela gente sempre em movimento, sem contar às crianças que por ali circulavam em estado de êxtase. Aquilo tudo era abominável aos olhos da impaciente Medéia, quando sugere pra si mesma em dar uma curta caminhada na praça do bairro dos bandeirantes, além do mais desejava estirar as pernas pra não dormir cedo e acordar na madrugada com o sono seco, a deixando impaciente na cama.
A praça tornou-se a perdição pra Medéia que estava em crise existencial. Seu último relacionamento abalou sistematicamente sua estrutura emocional, ademais, ela não podia contar com a ajuda das pessoas que a cercavam, estando completamente esquecida em meio ao acaso. Sustentou-se pela força de uma nova estrela que surgiu no céu, onde todas as noites conversavam horas e horas a fio, ouvindo atentamente as palavras de conforto que a acalmava. Medéia não tinha mais como contar com as forças do antigo que sempre lhe foram presentes. Estava ela se acostumando com o novo o diferente e aquilo estava lhe sendo confortável.
Caminhava pela praça com passos bem apressados parecendo querer expurgar todos os pensamentos maléficos da mente, quando cruza inesperadamente com Jasão e Gláucia, de mãos dadas e com aparência de felicidade irritante, não sabia Medéia como reagir diante daquela situação tão pitoresca, Jasão fora seu namorado no passado e a tinha trocado justamente por Gláucia. Pensava consigo mesma que baixar a cabeça para não os enxergar seria sinal de fraqueza, e fraca ela nunca gostou de ser mostrada, ergueu a cabeça e cinicamente ao avistar o casal abriu um sorriso que ultrapassava o ardiloso. O casal assim que a avistou seguiu em sua direção e de longe deram sinal de que queria prosear com a desconfiada e desajeitada Medéia. Pararam os três em meio aquela praça, se entreolharam, mas Jasão logo cortou o clima inicial de desconforto que tanto Medéia quanto Gláucia ficariam, apresentaram as duas que se cumprimentaram apertando delicadamente a mão uma da outra. Logo Jasão quis saber da vida de Medéia, fazendo insistentes perguntas quanto sua família, seus estudos e sobre seu futuro. Aquele questionar de Jasão e o abrir de boca enfadonho de Gláucia, a deixava interiormente enjoada, queria Medéia tudo naquela noite menos encontrar aquele casal que aparentemente mostrava-se perfeito, quando repentinamente ela ouve Jasão perguntar o que ela iria fazer naquela noite. Medéia inesperadamente ficou sem saber o que responder, olhava pras mãos dadas do casal e percebia Gláucia apertar a mão de Jasão desconfortavelmente. Jasão não esperou Medéia terminar de gaguejar para responder o inesperado, logo a convidou em acompanhar o casal a sua casa que também era naquelas redondezas, não esperando nenhuma reação de Medeia, Jasão a agarrou pelo braço o deixando no meio das duas e a conduziu por entre a praça até chegarem à sua casa.
A casa era perfeita, da mesma forma que Medéia sempre sonhara para sim quando fosse agraciada ao matrimônio, com o homem ideal e aquela forma de arrumar a casa, sempre tudo perfeito, demonstrava, segundo as dicas das aulas de bons costumes, que o casal vivia sempre em harmonia e felizes. Aquilo deixava Medéia com inveja do que Gláucia representava para Jasão. Provavelmente uma mulher perfeita.
Sentada no sofá da sala, Jasão servia um licor de passas a Gláucia e a Medéia que logo recusou por conta de não querer parecer tonta quando chegar em casa. Jasão era um bom convencedor, trabalhava com vendas, Medéia acabou aceitando uns goles daquela taça que Jasão a tinha oferecido. Após uma longa conversa relembrando o tempo em que os dois namoravam Medéia percebia-se meio soltinha e observava Gláucia que nem um pouco se mostrava desconfortável por ouvir pacientemente àquela história. Jasão sentou ao lado de Medéia na mesma poltrona enquanto Gláucia cruzava as pernas e empinava seus seios fartos, adornando o decote do vestido de cetim de bolinhas brancas com babadinhos nas bordas que a vestia. Jasão se direcionando a Medéia com ar de devorador faminto, e era Medéia, naquele instante, a carne perfeita. Jasão apertava seus joelhos dizendo do desprazer de nunca os tocar nos tempos de namoro, aquilo tudo causava risos em Medéia, que nada estranhava das verdadeiras intenções do casal.
No momento em que Medéia se distraia, observando as poses que Gláucia fazia diante dos dois naquele sofá, Jasão subitamente a agarra e tasca um beijo. Medéia em nada se indigna com aquela ação brusca de Jasão e receptivamente acolhe Jasão em seus lábios, mostrando-se susceptível àquela situação inimaginável que o casal pretendia proporcionar. Jasão a agarrava com bastante afinco e logo se pôs a acariciar suas pernas enquanto a beijava, deixando vagarosamente suas mãos subirem em direção as partes íntimas do corpo impenetrável de Medéia. Aquilo tudo a tinha lhe transformado em tudo o que sempre desejou, mas que as convenções jamais permitiriam. Estava ali, em meio a sala da casa de Jasão, completamente despida pela força bruta dos braços de Jasão que a desejava ferozmente enquanto sua mulher Gláucia observava excitadíssima aquela situação. Medéia gemia feito uma gata no cio, seu corpo estava sendo completamente possuído por aquela invasão de mãos e de boca que Jasão se prestava.

Por: Alisson Meneses de Sá

segunda-feira, 20 de julho de 2009

AMIGO NOVO, NOVO AMIGO


As coisas parecem estar dando um outro contorno, sinto nesse exato momento um vento fresco adentrar por minha janela enquanto a vitrola toca algo mais eclético para uma noite um pouco depressiva, ou melhor dizendo, nostálgica, memoralista, cheia de dúvidas e adornadas de conflitos, pois é raro os momentos de completa liberdade dentro do meu quarto, parecendo um daqueles personagens introspectivos e mitológicos, para mim, de Clarice Lispector, na sua mais tenebrosa angustia.

Esse vento fresco e gostoso tem na sua mais performática forma, nome, sobrenome e endereço fixo. Mora lá na cidadizinha de Chamgrilá e seus gostos assemelham-se ao de Narciso, pois somos completamente narcisistas e morreríamos se não nos refletíssemos. Assim é meu mais novo e queridíssimo amigo de sobrenome Hara, e por incrível que pareça a sua primeira impressão sobre este que vos escreve foram assim, uma das piores, para dramatizar um tiquinho, e depois, como algo assim quase inexplicável e pouco esperado nos vimos em meio a uma maré de afinidades, aliás, grandes afinidades e assim estamos a construir com alicerce de concreto firme uma grande amizade.

Costumo sempre enfatizar que colegas eu possuo em grande escala, mas com esses pouco ou quase nada posso contar, caso precise, já os amigos, mal fecham uma mão se for pra contar nos dedos e se não for precipitação de minha nobre parte essa nova amizade está ali, no dedo mindinho, mas está, e assim me fortaleço por tão ilustre participação.

Aos meus verdadeiros amigos costumo interligar a musicalidade, como para eternizá-los, assim o fiz com as canções de Ivete Sangalo, Maria Bethânia e como não poderia de deixá-lo de fora, estava ouvindo uma música de letra incondicionalmente bela (neste momento desligo a vitrola e pego meu MP4, direciono na música para ter a certeza) e nos vejo nela, exatamente como canta a canção “Sutilmente” de Skank.

Por: Alisson Meneses de Sá

PRA LÁ SE VÃO


Na minha mais desamparada desilusão, eu me atenho aos mais simples rabiscos, em depoimento para o meu mesmo eu. Detenho-me nas minhas mais solitárias leituras de principiante, como fiz na madrugada passada (uma aí qualquer) sozinho na plenitude da lua, adentrando ousadamente nas mais definidas poesias de Ferreira Gullar, buscando algo que justificasse o vazio que vagueia dentro de mim. Falta algo mais consistente que foge da perspectiva sentimental que eu pudesse focar e assim galgar o esperado.

Recebo uma ligação, após algumas mensagens conturbadas de um alguém do meu passado, passado esse não tão longínquo, detalhando que passa por situação difícil, mas que já almeja novos planos pro seu futuro. Momentaneamente fico deslumbrado com a facilidade que as pessoas encontram para definir projetos de vida, às vezes radical, mas a vida é assim mesmo de dar a cara a tapa e aprender com todas as circunstâncias favoráveis ou não.

Percebo que tenho meus pés extremamente arraigados nas minhas origens, além do mais me falta insegurança, talvez por ter fracassado lá no passado e esse medo me deixa um tanto quanto imóvel e essa lentidão me incomoda absurdamente, pois observo atônito as pessoas passarem em direção ao futuro enquanto o meu medo me detém.

Por: Alisson Meneses de Sá

domingo, 19 de julho de 2009

O MENDIGAR

Nunca mendiguei por atenção como mendiguei nesses últimos dias. Não desejo os holofotes advindos da popularidade profissional, isso me preenche em termos, nem tão pouco me servir de conselheiro familiar, que tenho me servido ultimamente e que de certa forma me satisfaz, mas não me preenche. Mendigo atrás das velhas amizades e dos velhos amores, e atrás desse processo me vejo como àquela velha caquética que tanto critico por seu isolamento e em muito por sua repulsa por si mesmo, de tanto criticar estou me transformando no seu espelho.

Quanto aos velhos amores, se é que eles ainda existem, continuo dando as chances, depois de evidências e evidências que me conduz a mais perfeita desconfiança, e triste daquilo que percebo, sou matreiro nas minhas análises de desconfianças e tudo tem como justificativa uma vingancinha lá do passado. E quando me acordo ao receber aquela ligação que tanto esperava ontem à noite, achando que ia ouvir: - vamos nos encontrar hoje. Não, foi um som frustrante: - que pena que não vamos nos ver dessa vez, mas deixa pra próxima. Assim, patética ficou minha face em meio aquilo tudo.

Ponho-me a pensar nessa coisa de correr atrás, a mendigar por atenção, por ser notado, e me levo a comparar com o novo que acaba de surgir, pois é evidente uma troca confortável, sem esperar que a outra parte faça “a mais” para o outro agir na mesma medida. Noto uma espontaneidade, um prazer em dar prazer e uma singularidade de pensamentos.

Por: Alisson Meneses de Sá

MEU DESESPERO!

Na véspera de viajar ligo pra ter certeza que estás no estado.
A três horas de relógio da capital eu ligo.
Pela manhã do outro dia...
Aviso que estou indo pra capital.
Quero lhe ver, mas tenho que cumprir uma agenda.
Mentira, é pra não dizer tão claramente que o único objetivo da minha ida é você.
Assim que chego, em minha casa, deitado na cama, ligo.
Digo que já cheguei e que assim que terminar de tirar um cochilo ligo.
Acordo em meio a muita conversa em casa.
Telefone celular desligado.
Tento várias vezes.
Na última tentativa obtenho sucesso.
Conversamos, não está muito bem, diz.
Termina a conversa prometendo me ligar.
Volto pra cama, quero está relaxado.
Penso em sairmos pra jantar.
Penso em me entregar completamente.
Penso e penso e penso.
São 10:00 da noite, passa 11:00, chega as 12:00.
Não me ligarás mais.
Dito e feito.
Vou ler pra elevar meus pensamentos.
Durmo tarde.
Cedo recebo uma mensagem, aliás a mensagem foi enviada na madrugada.
Desculpou por ter dormido e que a turma estava chamando pra sair.
Mas não queria ir.
Que desculpas.
Ninguém arrasta ninguém a canto algum.
Vai porque quer ou porque tem vontade.
Raiva eu? Imagina...

Só mais um...

Por: Alisson Meneses de Sá

quinta-feira, 9 de julho de 2009

APRENDI O VENTO

aprendi o vento nas trevas doendo
aprendi no escuro das trevas
aprendi nas telhas
moendo meu sopro
aprendi como um bicho
aprendi o uivo
do outro bicho
como a viga
o estalido
de outra viga


Vera Lúcia de Oliveira



Aprendi e como aprendi. Aliás, continuo aprendendo, e como. Aprendo com meus maiores erros. Minha vida é toda desenhada de altos e baixos. Apaixonei-me, fui ao ápice da paixão por exatamente uma semana, depois caí, despenquei de uma altura significante, outros não sobreviveriam. Consegui, me ergui, na verdade, quando despencava fui ajudado por um anjo, era o mais belo dos arcanjos celeste, de barbicha e cabelo cuidadosamente penteado. O anjo não tinha obrigação, pois a minha entrada no reino do céu era eminentemente proibida. Sentia-me indigno de sua ajuda diante de tanto chute e afronta que lhe ofereci. Sentamos numa noite de pura angustia minha, egoísmo meu. Despejei ali todos os meus verdadeiros sentimentos em dizer que somente “gostava”. Dali tudo se modificaria, até o momento em que pode está presente. Hoje foge de mim como o diabo foge da cruz. Não vejo erro nisso, pelo contrário, faria o mesmo nas mesmas circunstâncias, ajudaria o próximo até meu limite, mas quando me sentisse ferido sairia à francesa. Pela distância em questão, o que antes não era empecilho hoje é um divisor de águas. Seria injustiça de minha parte, caso não aceitasse essa opinião, pelo contrário, sinto-me apreensivo, mas acredito na possibilidade de você encontrar um alguém que possa suprir as necessidades que imaginou eu corresponder e que por uma grande infelicidade da vida ou talvez desvio de flecha, não pude retribuir aos seus desejos. Aos poucos eu vou-me formando nessa academia chamada vida.

Por: Alisson Meneses de Sá

segunda-feira, 6 de julho de 2009

EU E ELA

Eu as pego e daí?
Os meus amigos mais chegados já estão mais que acostumado com essa minha de pegar elas. Já os não tão chegados assim ainda se assustam com essa minha tirada de dar uns apertos nelas. São loiras, morenas, ruivas, depende, elas tem que ser muito gostosas. Não pego qualquer bagaçada, tem que ter presença, esse é o principal requisito, sem contar de que elas nunca são enganadas, se topar é porque gostam mesmo. Isso sempre acontece em festas e quando eu estou assim as atacando diretamente é porque a minha volta não tem ninguém a minha altura, ninguém que possa me desvirtuar, daí só sobram elas pra pegar. Pego mesmo de jeito, e as deixo maluquinhas, porque minha pegada é única. Meu medo é me apaixonar por elas, bom acho que num corre muito risco, agora o contrário eu morro de medo, elas estão carentes, necessitadas de uma maior atenção e papai aqui sabe dar a devida atenção, por isso eu pego mesmo. Diante da crise mundial que se alastra, é certo que fui afetado sentimentalmente, topo qualquer parada com elas, com cautela é óbvio, sempre bem devagarzinho pra elas não se assustarem e depois de uma crise emocional só sobra elas mesmo, dá uma desilusão procurar a outra espécie que só vendo. A sensação é esquisita, mas confesso é excitante, dá vontade de conhecer o novo o diferente, sair daquela mesmice repugnante. Ta eu ontem, sentado num barzinho, ouvindo uma boa música, tomando uma gelada quando ela olha pra mim e eu olho pra ela. Ela estava acompanhada de uma turma, e tava soltinha, dançando. Eu a observava, já analisando o território. Ela olhava disfarçadamente, daí senti algo estranho no ar. Cuidei em me certificar se ela estava acompanhada, e o que deu pra perceber foi que não, daí nossos olhos começaram a se cruzar com uma certa freqüência, quando do nada um rapaz que estava na turma a puxa pra dançar e a beija. Perdi o chão e dali não saiu mais nem sequer uma olhada. Não me deprimir. Voltei pro meu outro estado.

Por: Alisson Meneses de Sá

sábado, 4 de julho de 2009

COM QUE ROUPA EU VOU

A tarefa era: desfile do homem itabiense – o competidor deverá representar a beleza do homem que reside em Itabi, demonstrando o seu modo de se trajar, no seu cotidiano. A tarefa fez parte de uma das atividades da Gincana Cultural, Nossa Cultura, Nossa Gente, realizada no encerramento semestral da Escola Estadual Maria das Graças Menezes Moura. O que não se esperava foi quanto à problemática criada em torno dessa tarefa, pois as equipes ávidas para dar o seu melhor, se titubearam em dar conta do recado e após apresentação das equipes na chamada culminância do projeto escolar, somente uma equipe de fato teve sua representatividade, composta, conforme manda os padrões estéticos de se vestir do homem itabiense.
O modo de se vestir é antológico, e nos remete ao período pré-histórico, onde as roupas não surgem como forma de cobrir as partes íntimas do corpo e sim para se aquecer em períodos de frio, haja vista a grande parte do planeta neste período ser frio. Já adentrando na história propriamente dita, no período clássico, o homem não se condiciona a se vestir para se proteger do clima frio e sim para proteger seu corpo de possíveis ferimentos nas grandes batalhas de invasão, nesse momento a beleza da forma física é externalizada. É na Idade Média, mais especificamente com o surgimento do cristianismo que o homem se molda a cobrir seu corpo como um ato de respeito as leis de Deus. A igreja católica se baseia no castigo que o homem deve cumprir desde quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso, onde a folha de parreira que simbolizava a inocência e a pureza do homem era substituída pelas pesadas vestimentas de algodão, pois o homem já não era tão inocente como se esperava ser. Desse último período pouca coisa foi modificada e o homem continua a se cobrir conforma manda a bíblia sagrada.
O homem itabiense segue exatamente essa perspectiva de se vestir, mantendo a elegância no trajar para assim agradar aos olhos de quem o observa. Ele se atualiza conforme as tendências e muitas vezes ou quase sempre se priva do ultra moderno, se resguardando da opinião popular, temendo em muito a aproximação aos afeminados. O homem que reside em Itabi é cauteloso, não usa chapéus de palha convencionalmente, nem usa enxada na mão para ir ao banco, pois estes são símbolos caricaturais do homem nordestino.
A passarela desses que se atualizam quanto as tendências do bem vestir é justamente a contraposição entre o sagrado e o profano. É a passagem da igreja para a diversão, o Acri Clube. E naquele trajeto, que segue entre a Praça São João, mais conhecido como Cruzeiro que está a passarela mais cogitada dos que são aficcionados por moda na cidade, é ali que se vislumbra a passarela do São Paulo Fashion Week, sempre voltado para o que a mídia veste.

Por: Alisson Meneses de Sá

CONTRADIÇÕES E REVELAÇÕES

Oxalá eu não me arrependa do que escrevo!
Sinceramente não me senti nem um pouco confortável. Tá certo eu já sei que a outra pessoa tinha problemas psicológicos e eu quase entro numa roubada sem tamanho. Isso já é sabido por mim. Depois de me angustiar, de entrar em pane cerebral de fazer vários e vários interrogatórios a mim mesmo e não obter nenhuma resposta, tive da própria pessoa a resposta que pretendia ouvi. Etapa já superada. Ufa!
Tranqüilo, quando estamos envolvidos ficamos meio que cegos, mas toda opinião de amigos, verdadeiros amigos, são super válidas. Das duas uma, se soubesse de tudo que fiquei sabendo ontem na praça de alimentação do shopping, numa conversa meio que por acaso, não entraria tão de cabeça como entrei nesse caso ou então não daria ouvidos e hoje estaria me culpando por tudo, até por não dar ouvidos aos meus melhores amigos. Por tudo que já foi construído, pela sinceridade já alimentada, pela confiança depositada, percebo que se estivesse entrando numa fria, numa enrascada eu jamais teria o apoio de ninguém, iam só lamentar a minha desgraça e depois iam dizer que sabiam de tudo. O bom disso tudo e aí vai meus elogios aos que me contaram da história meio que nebulosa, que antes tarde do que nunca, isso só fez mesmo com que eu expurgasse de uma vez por toda aquela coisa ruim que estava dentro de mim, foi uma situação radical que condicionei aos meus sentimentos a exercerem tão abruptamente. Cortar todo mal pela raiz, de uma vez por toda. Pelo que vocês já me conhecem eu sempre, mas sempre dei ouvidos as opiniões dos sinceros e reais amigos. Parece que todo o mundo já sabia do passado da dita criatura, menos eu. É como se todo bairro comentasse a minha situação de traído, me apontando pelas costas como um coitadinho. Tudo parece um drama encenado somente por mim, até ta açucarado, mas estou dando a conotação real dos meus sentimentos.
Não tirem, meus amigos, conclusões precipitadas, ainda quero assistir muitos e muitos filmes com vocês.
Beijos!

Por: Alisson Meneses de Sá

sexta-feira, 3 de julho de 2009

NA BEIRA DO MAR


Parati, alguns quilômetros de distância da orla de Aracaju. O sol estava se pondo, todos que nos acompanhavam logo se despediram para a noite nos encontrar. Resolvemos continuar ali, sentados, nos dois. Eu com meu pé ainda molhado, por entre suas pernas, acariciando. Nada ao nosso redor parecia nos incomodar, aquilo aos olhos natural não era normal. Fiquei tão entregue aos seus verdadeiros sentidos que não tive como evitar as lágrimas ao descerem por minha face. Era tudo tão poético, mágico quando resolveu entoar, tendo como instrumento único, o bater da água do mar na encosta. Mesmo sabendo que a verdade já tinha sido dissipada, na noite anterior enquanto degustávamos uma grande variedade de shushis, mas mesmo assim sentia por dentro um vazio por gostar de estar ali, mas os meus desejos sentimentais imploravam para ter notícias de outrem. Locupletei-me de choro enquanto as letras rimadas saiam daquela boca que tanto já me beijou, com vigor.

Por: Alisson Meneses de Sá

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DEPOIS DE ONTEM


Estou entrevado na cama, com fortes dores nas vértebras. São dezessete horas e trinta e cinco minutos e ainda não tinha feito nenhuma refeição. Desde o desjejum que as dores vem aumentando, cortando de certa forma o apetite. Do meu celular envio e recebo mensagens. Se não fosse a minha impaciência e meu estado pendular de ressaca me confortaria nas leituras literárias. Na minha cômoda de cabeceira, enchi de remédios que pudessem amenizar as dores que no primeiro despertar fui colher na farmacinha improvisada da despensa. O que me salvaguarda neste momento em que as dores estão cessando é meu caderno de anotações na qual escrevo esses rabiscos, para quem sabe desvirtuar os pensamentos nefastos. Não sei o que será de meu futuro esta noite, os meus desejos conduzem a um só caminho que se torna praticamente irrealizável, tendo em vista os últimos acontecimentos. De repente, ouso me levantar para pegar o aparelho celular que se encontrava distante de meu alcance. Uma nova mensagem. Leio, releio e pouco aquelas palavras se expressam. Existe uma dúvida pairando sobre meu inconsciente. Encho-me de tristeza, pois não sou explosivo, nem tão pouco irracional. Meus sentimentos estão a flor da pele, só tinha sentido isso uma única vez, quando da morte do meu primeiro e até agora único amor. Pronto, chega, apesar dessa súbita carência, da abertura do meu coração em prol da paixão, não nasci, jamais, para o auto-flagelo. Sofro como sofre qualquer mortal, sensível, perante a inevitável morte. Preciso me banhar antes que anoiteça e logo após terminar de degustar os bombons alpinos que teimo em digerir para cortar o gosto amargo dos remédios. As dores vão desaparecendo.

Por: Alisson Meneses de Sá

NÃO FOI TÃO PERFEITO ASSIM


Tudo parecia perfeito quando fui subitamente despertado pela voz da cruel realidade. E da mesma forma que entrou, tão abruptamente, saiu grosseiramente, sem desculpas ou se desculpando através de justificativas infantis, basicamente sem fundamentos reais. Tudo fazia parte de uma farsa que eu, loucamente apaixonado, não conseguiria jamais descobrir. Meu coração se condicionou a sofrer sozinho o mal do amor, me trancafio na mais alta masmorra e de lá do pico, atiro a chave no lago, esperando seu sumiço. Adentrei-me na mais pueril insensatez e dela só devo colher amadurecimento. Fui visto como explosivo sem ao menos me darem a chance de mostrar o outro lado. Tudo estava sendo preparado com esmero, calculando-se milimetricamente as funções de cada detalhe quando fui acordado por um balde repleto de cubos de gelo, como se eu nada mais representasse ali naquela história. Há quem diga que tudo não passou de uma vingança infantil, pois no passado sofreste pelas mesmas circunstâncias que me fazes sofrer agora. Psicologicamente tudo se tem uma justificativa. Não me arrependo por ter me entregado tão facilmente quanto aos meus sentimentos. Repetiria tudo com a mesma intensidade, já que isso só foi visto uma única vez, anteriormente, quando a morte me despertou. Agora tenho a oportunidade de refazer os erros do passado. E para todo mal tem o bem que faz toda essa perspectiva lancinante.

Por: Alisson Meneses de Sá

sábado, 13 de junho de 2009

O VERDADEIRO ENCONTRO


Estacionei-me diante de mim mesmo naquela impávida e inebriante noite de todos, e a existência do outro não me deixava adentrar no meu mesmo introspecto, daí afastei de mim a tristeza que há muito pairava sobre os meus sentidos. E foi tudo tão rápido, tão urgente a força daquela existência que parecia já sermos velhos conhecidos de amores nunca desgastados pela força do tempo nem pelas traças do destino e a partir daquele momento nos entregamos por toda uma vida, até quando ela durar, esqueceremos todas as mágoas do passado, todas as circunstâncias que ao invés de risos surgiram choros e prantos. Seu surgimento naquela noite tão obscura e pouco propícia para amarrar um amor não teve meras justificativas, foi assim, caído talvez do céu, ou quem sabe surgido num barquinho de veleiro, porém não se sabe de que lado surgiu, o que depois fiquei sabendo através dos arcanjos que é pra justamente eu não saber te buscar, caso partas, me deixando na incumbência de te amar eternamente, sem espaços para reflexões. Pouco tempo foi dado para se construir essa base fixa que já se desenha nos meus sentimentos quando me recordo dos pouquíssimos tempos juntos, sendo agraciado pelo poder dos deuses e santos que vivem no oceano, pois foi lá que fomos abençoados e nosso amor consentido. Encontrei, e isso o tempo me dirá, o meu grande amor, minha paixão, minha vida, e escrevo isso com toda intensidade dos meus punhos e se possível fosse, sangrasse, e sobre o sangue derramado ou com o sangue em deleite escreveria nossa história com a força mais substancial que nossa existência possa justificar. Serei assim, eterno, vivaz, constante, atento a toda movimentação sua, me tornarei um ser introspectivo de você, adentrarei sem nenhum pudor o seu âmago e lá montarei residência até que não suportes mais o meu peso ou a minha cumplicidade. Doarei-me por completo quando não mais a força do desejo não ultrapassar a força do nosso querer, pois ontem éramos um, hoje somos dois em um, as intenções deverão ser mútuas e mais do que nunca que os nossos olhares fixos nunca nos traiam sempre nos conduzindo ao verdadeiro ao concreto, ao esteticamente belo, pois nosso amor se resume a uma verdadeira obra de arte. Que essas pobres palavras possam nos eternizar como seres “amados”. Amor eterno...

Por: Alisson Meneses de Sá

DESTINATÁRIO


Meu amor

Nem sei como explicar essas sensações que estou passando ultimamente.


São coisas tão boas, saudáveis, meu coração entra em palpitações toda vez que minha mente me leva aos momentos mais nostalgicos de nosso carinhos.


Não quero nunca que isso acabe, quero que isso permaneça por toda uma vida, fazendo bem tanto a mim quanto a você, numa singularidade só.


Serei eterno, constante, intenso enquanto durar e se durar uma vida inteiria que assim seja. Te amarei de todas as formas possíveis, por mais cedo que esse amor possa representar. Pois aqui me ajoelho diante do tempo, agradeço por te te esperado tanto, quase uma vida, por você, mas esse tempo, esse dia chegou, e aqui estou pra retribuir ao tempo.

Seu novo e eterno amor...

Por: Alisson Meneses de Sá

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A EXISTÊNCIA


Eu conheci a solidão. Ela tem nome, endereço, existe em estado físico, pensa, ver, olha, tem sentimentos, se desloca, veste-se regularmente conforme manda a civilização contemporânea. A solidão se personifica num homem no seu sentido mais diversificado. A solidão tem família, mas prefere desobstruir suas funções, talvez por expor sentimentos e obrigações repressoras de uma época não mais existente. É fato, a solidão toma as mesmas proporções humanas e anda lado a lado comigo, sente, pois quando, as mesmas sensações que sinto no meu respirar. É digno de pena por não mais conseguir definir seu estado de sanidade mental límpida, uma onda de impurezas toma-lhe as rédeas de suas ações, este sempre as voltas com o rancor, com a inveja, com ódio a ser demonstrado gratuitamente como se já fizesse parte de sua história desde quando o engatinhar era sua idade. A solidão vive as turras com o mundo, sem causa aparente. Transfere o amor pelo próximo nas intrigas por todos. Consome-se nas suas razões mais arcaicas e menos cosmopolita possível. A rua, para a solidão, é seu lar, seu convívio mais acolhedor. Se mostrar para o novo de forma nova, é sempre um elo de ligação que supri as suas necessidades mais aparentes que é o não estar só. Mas a evidência da solidão será sempre aparente, mesmo para as pessoas mais céticas, torna-se evidente o descontentamento da solidão para com o todo, pois a parte desse todo jamais completará a outra parte desse todo. Ao fim da solidão pouco se espera. Um cachão com meia dúzia de choro envolto a lamentar o não acalentamento nas horas propícias.

Conto escrito por um anônimo que se deparou na sua convivência interiorana com a solidão.

Por: Alisson Meneses de Sá

ATÉ ONDE SER PROFESSOR?


O governo estagnou com os concursos públicos voltados para educação. A classe efetiva e sindicalista nesse contexto nada reivindica, se interessam somente pelo afamado piso salarial que dará consistência a carreira do professor. O estado agradece esse esquecimento. Contrata-se professores. Fica mais fácil para o estado lidar com essa classe de contratados, é o tipo ideal para se abarrotar o vazio eminente aplainado nas escolas estaduais de todo país. São os mais favoráveis empregados que o estado poderia ter nas suas folhas salariais. É o estilo particular empregatício que estabelece nesse contrato temporário de trabalho. O estado paga, em contrapartida o empregado, temporário, lhe obedece cegamente, e qualquer tipo de manifestação contrária torna-se esse profissional sumariamente classificado como manifestante insurreto como foi o caso de Jesus Cristo para o mundo, Lula para o Brasil e Mário Jorge para Sergipe. E pegando o fio da meada com este último quanto a ditadura militar, fazemos assim uma correlação temporal no contexto da repressão militar, onde todos tinham que seguir as normativas instituídas pelo poder executivo e o pensar contrário era como agredir o estado, sendo alvo de torturas e quando não, exilados, tendo que viver em outros países, abandonando a sua cultura para viver outra e assim garantir seu direito de vida.Sem contar a censura irrepugnante que assolava a classe artística do pái. Para a classe contratada o pensamento é completamente desmembrada. Uns ousam, sentem-se como reais professores, compram a causa que justifica seus meios e encabeçam as mudanças. Outros se omitem, preferem salvaguardar seu lugar enquanto seu tempo não acaba. Fazendo uma analogia com o passado pergunto: o que seria de nós brasileiros se no processo de ditadura militar não tivéssemos manifestantes indignados com a situação? Provavelmente estaríamos ainda incrustados num mundo robótico de pensamento, numa arte encomendada e numa camada intelectual inexplorada ou manipulada para as causas que favorecem os seus “donos”. Hoje agradecemos o fim da ditadura e a volta do livre pensamento as camadas revoltosas, artistas, intelectuais, enfim, personalidades que fizeram história não cruzando os braços para o poder monopolizador de trabalho que o estado se tornou. Talvez ser professor seja exatamente isso, formar opinião, fazer a criança ou o adolescente pensar, discutir, criar, enfim, argumentar as razões sociais de imposição que ainda persiste no papel do líder governista. Mas esse papel pouco será desenvolvido caso a camada educacional ainda sinta-se amedrontado quanto ao contrato de trabalho estabelecido. Daí lanço outro questionamento reflexivo: de que forma, nos professores, agimos para melhoria da classe educacional e conseqüentemente para melhoria da nação?

Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 28 de abril de 2009

NO DIA DOS MEUS ANOS

Pouco esperava no dia 26 de março, pouco esperava, aliás, nada esperava. A idade é efêmera, dias desses corria feito um moleque sem destino pelos corredores daquela escola, a sorrir, a bolinar nas moçoilas desprotegidas, a gritar exacerbadamente, a ficar imaginando o quão tão bela era aquelas professorinhas de saia jeans e blusa branca, estampando o nome daquela deliciosa escola. Ali mesmo, em meio a uma situação um pouco peculiar me deparo com algo que jamais tivera ganhado, uma festa surpresa. Parecia mentira o que desenhava naquela sala de aula, alunos que me adotaram como seu fiel instrutor. Sinto dentro de cada um o desejo, a vontade de crescer e as oportunidades que parecia está sob meu controle, num cadeado que somente eu detenho a chave. Foi lindo a festa dos meus anos como diz Maria Betânia em sua canção de fábula e paixão.

Por: Alisson Meneses de Sá
P.S. O texto está ridículo, nem sei onde queria chegar com esses rabiscos...

COMO EU QUERIA ESTAR

É tempo de solidão. Me pego as vezes pensando no passado. Não no passado que me serve de trabalho, o passado histórico, mas o passado que guarda os mais puros sentimentos da paixão. Peguei-me pensando naquele amor que um dia deixei passar por entre os meus dedos e que nunca mais poderei resgatar. Ali fiquei, estacionado em meio aquela confusão sentimentalista que teima em continuar impregnada na minha alma. Tenho que me contentar, aquele amor que um dia se foi não mais se faz possível concretizar. Daí pergunto-me, porque meu coração se petrificou e não mais bate como batia nos meus 18 anos? Somente após eu perceber que aquilo que eu achava que era brincadeira, na verdade não era brincadeira, era real, e que infelizmente não mais poderei recuperar o tempo que deixei pra trás. Hoje, tento desabrochar a flor do pomar que congelou. Recebi dias desses, inesperadamente, diga-se de passagem, uma mensagem via celular que pedia minha ida a capital, com o intuito de acalentar uma esperança, já elaborada. Confesso. Tremi, pensei e repensei em toda aquela situação, mas era tarde, aquela ação não podia se concretizar. Fiquei com receio de toda aquela história uma vez descrita lá no passado, pudesse se repetir mais uma vez. Não, talvez fosse somente saudades momentânea. Sonhei no mínimo com aquele beijo gostoso, com aquele apertar de corpo indescritível, com aquele beijinho de rato singular. Deixei passar, talvez, pelo tempo sem resposta, pelo silêncio uma vez estabelecido alguém substituiu-me nesse processo de carência afetiva. Mais uma vez deixei o tempo correr e fiquei de longe só a observar o meu erro. Até a última chance em poder encontrar foi abruptamente descartada. Há quem diga que tratasse de destino e que tudo já estava escrito em algum lugar. No mais me resta ficar aqui, em meio a esse campo a esverdear e me debruçar no passado que me paga, do que me deter nesse lamento insuperável.

Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 14 de abril de 2009

O DESPROPÓSITO

Foi como tudo aconteceu. De repente. Amor súbito. Interesses sendo suprido de ambas as partes. A era da internet e dos sites de relacionamentos tem suas facetas a serem ainda reveladas. Parecia tudo um sonho, ou conto de fadas. Uma desilusão amorosa. Uma princesa jurada a sofrer de amor. Um bandido que a iludiu e depois a abandou como se fosse uma cadela sarnenta e indigna de seu carinho. Uma depressão em vista. Seus primeiros sintomas: o silêncio, o vazio, o estar sozinha. O sapo dos contos de princesa se transformou no rápido acesso à internet. O segredo não está na coragem de beijar o sapo e sim na sorte de achar dentre vários aquele que vá retribuir tudo aquilo que lhes é esperado, tendo em vista as suas concepções. Assim aconteceu, a princesa do Tijuco criou um esteriótipo de príncipe que pudesse ajudar a lhe resgatar das masmorras que o destinho a colocou chamado de desilusão amorosa. O príncipe já se transformara em príncipe, com seu toda sua indumentária imponente. Os sonhos foram construídos, as espectativas também foram fomentadas, e o encontro, categoricamente, agendado. Parecia tudo se encaixar como um jogo de quebra-cabeça. As peças pareciam está ali, todas, fáceis de ser achadas e juntadas. Até o momento em que as aparências pareciam ser enganadas e tudo parecia cair por terra. Ficou no ar algo que não conseguiu descer goela abaixo, algo sem perguntas e sem respostas. Ficou o príncipe e a princesa sem ação e sem emoção. Pra princesa tudo estava tranqüilo, mesmo que dali não sobrasse o que tanto lhe resguardava, no mínimo seriam bons amigos. Ledo engano, a pobre da princesa se enganou mais uma vez. Repentinamente, com uma desculpa pouco convencional e muito menos convincente o príncipe desaparece deixando a princesa com várias interrogações que somente o príncipe responder categoricamente. Nenhuma impressão foi esboçada por parte dele, o príncipe, nada, nem o que achou, porque não rolaria namoro, essas coisas que internet e o sites de relacionamento, infelizmente são incapazes de responder. Talvez a pompa do príncipe não foi digno da vivência que a princesa estava submergida, ou quem sabe faltou glamour quanto a sua recepção. Não se sabe, ficaremos somente nas impressões deixadas e na nossa análise primária que não é única. De todos os lados existem versões.

Por: Alisson Meneses de Sá

ASSIM TÃO SUBTAMENTE ACONTECEU!

Estávamos tentando acompanhar o trio passar, depois de muita canseira durante a manhã à noite chegou com um carro a conduzir a barulheira que alegrava a cidade. Pareciam zumbis a seguir contentemente aquele trio elétrico que percorria as ruas estreitas daquele interior. Entramos sem nenhum propósito naquela multidão, depois demos alguns passos em direção do carro que guiava o povo e no meio do percurso nos vimos cansados e esfomeados. Sentimos o desejo latente de nos conter durante toda aquela euforia baianesca e nos acalmamos numa mesa de lanchonete a comer cachorro-quente. E foi nesse exato momento que vindo de forma descabida que recebemos a notícia, que mais parecia ser um noticiário de telejornal informando sobre um acontecimento desagradável. A notícia foi lançada assim, numa distância considerável, em meio a rua, com ua expressão desabonadora, que deixava Fátima Bernardes no chinelo havaiana, uma cara de desalento misturado com tristeza e com o prazer de primeiro divulgar a notícia. - “Vocês já sabem do que aconteceu?”. Assim começou a dissipação do ocorrido, pois, obviamente, se estávamos em meio a uma multidão em estado de euforia, a certeza é que do que elas iriam expor naquele momento não era do nosso conhecimento. E assim foi dada a notícia súbita do ocorrido. - “Fulano de tal morreu, assim e assado, estamos atrás de um transporte que possa nos auxiliar na condução da irmã que está em desespero.” E assim se foi, da mesma forma que chegou. Na lanchonete as pessoas não compreendia o ocorrido, e se dirigindo a nossa mesa, que antes estava colorida e de repente perdeu o brilho, perguntava-nos sobre o que ocorreu de fato e quem tinha falecido. As respostas foram dadas de imediato, conforme a notícia nos chegou. Ligamos pra um e outro e a notícia ainda não estava divulgada, nos sentimos abalados emocionalmente, pois tratava-se de uma pessoa super querida de todos. Nada mais tinha graça, tudo naquela noite que parecia ter sido encomendada para nós que desejávamos curtir e aproveitar todo instante perdido na noite anterior, foi sumariamente diminuído a uma notícia ruim. Perdemos o interesse de tudo, voltamos logo para nossas residências, só ficando as mais afoitas e insensíveis. Enterrou-se no outro dia, com toda pompa que merecia, e com a beleza que Deus lhe deu. Que Deus o coloque num bom lugar. Eu não suportaria o ver num cachão, guardarei sua imagem na cabeça, assim, sempre sorrindo, feliz da vida e com suas loucuras instantâneas que tanto me divertia. Há, já ia esquecendo, a sua risada ensurdecedora e contagiante. Fica com Deus!

Por: Alisson Meneses de Sá

DE VOLTA DEPOIS DE ALGUM TEMPO


É interessante, depois que paro para analisar, o quanto me sinto num vazio, durante o período em que me mantenho afastado dos meus rabiscos confessionais e das minhas análises pessoais e interpessoais, das minhas conclusões as vezes precipitadas as vezes acertadas e como a alta tecnologia só tem a me ajudar nessas convenções modernistas. Por um certo tempo pensei que iria me desgastar e escrever tais conotações, mas, me vi contemplado com um aparelho que irá categoricamente me ajudar a compor meus textos, mesmo estando nas brenhas dos sertões enveredados, mesmo me enclausurando na casa de árvore na frente, também afastado da civilização. E assim, com todas essas divergências que a situação me prega, outras são oferecidas na ajuda a me manter sempre nesse divã que é escrever e postar. E a cada parada dada durante todo esse tempo de atividade de blogueiro me sinto mais apto a e mais seguro nas minhas colocações, talvez mais perspicaz, mais sagaz, mais ousado, enfim, mais e mais determinado a mostrar minhas visões sobre tudo que se passa a minha volta. E assim vamos prosseguindo caminho adentro, com textos, como disse antes, confessionais ou não, ilustrativos ou não, comparativos ou não, memorialista ou não, de ficção ou não, literário ou não. Porém o que vale de minha parte é expor e mesmo sabendo que ninguém vá desfrutar da leitura, ali ele estará para me auxiliar, no futuro, a entender as minhas concepções as minhas incertezas, angústias, e assim por diante. Pronto, aqui deixarei de me justificar e partir pra coisa prática que é escrever, escrever e escrever.

Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 10 de março de 2009

TATUAGEM NA REDE


Ainda me debruçando sobre as pesquisas com referência a história da tatuagem no estado sergipano, obviamente com o fácil acesso e as rápidas informações que a internet nos oferece resolvi buscar no Google, um site de procura bastante popular, que me deu informações acerca o que desejava pesquisar. As primeiras informações são por demais válidas, pois o referido site me mostrou um outro site, este especificamente sergipano, e o que me deixou mais satisfeito foi quando me deparei com o site do tatuador mais conhecido no estado de Sergipe, o Marku’s Tattoo onde na década de 90 fez sucesso no ramo de tatuagem. Adentrando o site, logo de cara, notamos o estilo que personifica a figura do próprio Marcos, que possui estilo de roqueiro, vestindo sempre de preto, cabelos cumpridos, adepto do Heavy Metal, assim seu site se apresenta com configurações obscuras e algumas figuras de entrada identificáveis, poissuindo no seu arcabouço alguns links informativos, vamos a eles. No link inicial a história da tatuagem é contada não de forma minuciosa e sim superficial, são relatos que ao se pesquisar ainda na internet se percebe que a produção foi difundida, e sobre esse tópico estarei me especificando um pouco mais em outra publicação. No link seguinte existe algumas perguntas que são freqüentes para quem deseja fazer alguma tatuagem e cria algumas neuras ou na verdade sentem-se despreparadas, são no total 14 questionamentos que o próprio Marcos responde. No terceiro link ele se identifica como tatuador, expõe algumas tatuagens já feitas como também deixa a mostra tatuagens feitas por Érico, também tatuador que trabalha no mesmo espaço de Marcos. No link seguinte também denominado de Link um aviso denuncia que em breve estarão disponíveis endereços sobre a tatuagem na Internet. Onde fica claro que o site também oferecerá informações de outros sites relacionados ao tema tatuagem. Mais um link com o contato com os tatuadores e por último tem o link principal, que leva você a acessar outro link como nome de ENTTRE onde você volta pras exposições da tatuagem dele e do Érico, na página principal também você observa algumas frases de bastante poder de influência como: TATUAGEM: vontade de muitos, coragem de poucos, privilégio de alguns! Observamos ainda neste mesmo link um texto onde ele, comercialmente, alto se promove: Experts em introduzir na derme desenhos e ilustrações, especialistas em trabalhos artísticos em linha fina,cobertura de cicatrizes e correção de tatuagens mal acabadas, variedade em desenhos,esterilização total através de AUTOCLAVE, material totalmente descartável.Tatuadores Marcos e Érico. A Marku’s Tattoo House está localizada na Rua Capela, 68-A – Centro de Aracaju - Próximo à Catedral Metropolitana. Tel.: (79)3214-5030 - E-mail: markustatto@bol.com.br. Segue link do site: http://www.markustattoo.hpgvip.ig.com.br/

Por: Alisson Meneses de Sá

domingo, 8 de março de 2009

A VEZ DE DAGOBERTO

Era um quarto em péssimo estado de conservação de um motel, alguns preferiam chamar de pousada, localizada no centro da capital. De dentro do quarto via-se o neon que identificava a pousada que acendia e apagava com uma certa freqüência. As pessoas que a freqüentavam não costumavam se demorar muito no uso dos quartos, no máximo permaneciam duas horas ou até saciassem seus apetites e desejos sexuais, em muito com prostitutas que se disponibilizavam naquela redondeza a fazer vida, algumas já em acordo percentual com o dono da pousada abocanhava seus fregueses em quartos já escolhidos por elas. A movimentação se dava a partir da quinta-feira, o entra e sai em demasia dava muito trabalho á recepcionista, gorda e com maquiagem em excesso na face e também amante do proprietário, como também ao pessoal da limpeza, que antes de colocar no cesto de roupas sujas para seguir em direção a lavanderia olhava duas a três vezes os lençóis e as fronhas, não encontrando nenhuma marca de sujeira os lençóis retornava para o colchão e o quarto ficava disponível para o próximo cliente.
Encostado na mesinha que ficava no canto do quarto com duas cadeiras, em péssimo estado, para por ventura caso os clientes desejassem realizar alguma refeição, trazidas pelos próprios, pois a pousada não forneciam nenhum tipo de alimentação, Dagoberto tragava o cigarro com bastante ânsia, olhando em direção à cama, completamente desforrada e em cima da cama, completamente despida, estava Dayse, morena de altura mediana de corpo nada expansivo como é a preferência de Dagoberto, Dayse era esculturalmente bem feita, sem barriga e com cochas bem delineadas, seus cabelos eram tão preto e brilhosos quanto as penas de uma graúna, seus traços genéticos pareciam ser de descendentes de índios. Dayse era seu nome fictício que usou desde que entrou no ramo de meretriz, já no bordel de professora Gilda no famoso Beco dos Cocos. Seu verdadeiro nome é Auxiliadora de Assunção dos Santos, nome este dado por sua mãe caso a menina vingasse. Era Dayse uma mulher sofrida, no seu histórico de vida no sertão seco a beira do Rio São Francisco, aos 13 anos, teve que se vencer para o dono do sítio vizinho ao do seu pai para matar a fome dos seus irmãos menores, era uma carreirinha de irmãos. Dayse chegou à cidade grande com um único intuito, de voltar pra casa de seus pais com dinheiro suficiente para lhes dar boas condições, estava ela disposta a tudo, foi daí que conheceu professora Gilda.
Dagoberto conheceu Dayse num desses happy hour de sexta-feira com amigos da empresa em que trabalha. Juntos resolveram ir a um bar convencional, depois de encherem a cara preferiram se prolongar nos braços de alguma profissional do sexo. O bordel de Gilda era o mais comentado da cidade e pra lá se dirigiram, já passavam das três horas da madrugada, as meninas que lá estavam á disposição demonstravam fadiga pela movimentada noite que tivera. A recusa era incogitável enquanto professora Gilda permanecesse no estabelecimento. Dagoberto logo se interessou por Dayse que ria, disfarçando seu cansaço, logo ela sentou-se ao lado dele, ignorando os amigos, pegou a carteira de cigarro que estava em cima da mesa, puxou um cigarro com os lábios, se dirigiu a ele que prontamente estava com o isqueiro acendendo o cigarro. A disposição de Dayse impressionou Dagoberto, ela percebendo o interesse dele logo o perguntou com ar de devassidão que incorporava, o que rolaria naquela noite, e ele imediatamente respondeu que tudo o que ela desejasse. Ficaram por alguns instantes se olhando e se desejando quando subitamente Dayse pegou Dagoberto pelas mãos e o conduziu para fora do bordel, seguindo em direção a pousada que Dayse tinha acordo.
Ali ficava Dagoberto a admirar àquela mulher já usada por vários homens, inclusive naquela noite, já tinha saciado sua vontade e estava encantado com Dayse, ela o fizera sentir prazer nunca antes sentido. Naquele momento o que importava era Dayse, nem Gioconda nem a outra em nada se assemelhavam com a poderosa e inesquecível Dayse, que iria entrar na sua vida de forma única e imparcial.
Após esse encontro Dagoberto começou a freqüentar o bordel de Gilda semanalmente e não aceitava nenhuma outra meretriz que não fosse Dayse, ficava a esperar horas se fosse possível, mas logo finalizava com Dayse. Ela por sua vez via ali em Dagoberto grandes possibilidades de sair daquela vida e torna-se uma mulher respeitada, mas no seu íntimo desejava Dayse conseguir dinheiro pra tirar seus pais da miséria e Dagoberto não sustentava condições financeiras para tal propósito. Estavam Dayse e Dagoberto entrelaçados, num envolvimento sórdido e recheado de muitas traições e trapaças.

Por: Alisson Meneses de Sá

sábado, 7 de março de 2009

A DISCREPÂNCIA DA EXCOMUNHÃO

No meu tempo de adolescente a igreja católica estava às voltas com movimentos dirigidos para jovens, visando a adesão desses, cada vez mais se desviando do caminho de Deus, nos chamados encontros vocacionais. A igreja por sua vez era vista como uma acalentadora das angustias que por ventura venha sofrer a população. O tempo passa e as concepções do cristianismo ao invés de acompanhar as grandes mutações tecnológicas, regridem no tempo e no espaço, vão buscar lá no medievo o radicalismo na qual a igreja se ergueu. Uma criança de 9 anos de idade, abusada sexualmente por seu padrasto, grávida de gêmeos, correndo grande risco de vida. Texto suficiente para se indignar com as ações cada vez mais impróprias equivalente a um ser humano. A missão da igreja em caso de completa adaptação com o meio moderno, no mínimo seria fazer um trabalho de apoio direcionado a criança e aos familiares, nesse caso em específico, oferecendo o mínimo de conforto possível. Qual o papel da igreja em meio a esse vendaval de acontecimentos trágicos? Resposta: excomungar todos os envolvidos no processo que levou a menina a sofrer o aborto, previsto por lei. Médicos e familiares foram alvos dessa inconsistência arcaica que impõe a igreja católica. Se a lei de Deus está acima da lei dos homens, como afirma o representante legal da igreja, e com toda essa situação a prática do aborto está sumariamente em desacordo com a lei divina, aborto este que está em acordo com a lei dita dos homens. Com isso a igreja nos faz acreditar que a brutalidade do estupro foi uma ação de Deus, numa fenomenal discrepância do que prega os mandamentos bíblicos, ora, se a igreja fica contra o resultado mais brutal que a própria ação do estuprador não tenho como pensar o contrário. Se a igreja tem suas concepções arraigadas num passado negro que está a história da criação da igreja, por que motivo, sabendo do horror que isso causaria, não ficou neutra a tal situação, pois o fato acaba ridicularizando a própria instituição. Daí cada vez mais se torna inevitável o processo de afastamento dos vínculos institucionais religiosos a procura de outros meios diferentes da supremacia católica no mundo ocidental.

Por: Alisson Meneses de Sá

quarta-feira, 4 de março de 2009

UNIVERSIDADES COM MESTRADO (STRICTO SENSU) EM HISTÓRIA

Abaixo segue relação das universidades de todo território brasileiro com mestrado na área de história, para quem tem interesse em dar continuidade aos estudos e a pesquisa da história. Estão também elencadas, abaixo, as linhas de pesquisas mais específica para cada área da história, acompanhados do link da universidade mencionada. Os interessados pesquisem nos link das universidades em pós-graduação, ensino, cursos ou em mestrado, pois algumas universidades se fazem necessário o contato com os membros do curso de cada instituição para obter mais informações quanto aos períodos de lançamento de editais para o concurso.

Divirtam-se...

UFS – Universidade Federal de Sergipe
· Cultura, Memórias e Identidade
· Culturas, Sociedades e Relações de Poder
http://www.ufs.br/departamentos/dhi/pos/esp_historia_cultural/informes.htm
UCSAL – Universidade Católica de Salvador
· História Social e Educação
http://www.ucsal.br/
UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
· Memória, Linguagem e Sociedade
http://www.uesb.br/
UFBA – Universidade Federal da Bahia
· História
· Estudos interdisciplinares sobre mulheres, gênero e feminismo
· Estudos éticos – Raciais e Africanos
· Ensino, Filosofia e História das Ciências
· Cultura e sociedade
· Comunicação e cultura contemporânea.
http://www.ufba.br/
UECE – Universidade Estadual do Ceará
· Memória, Oralidade e Cultura escrita
· Práticas urbanas
http://www.uece.br/
UFC – Universidade Federal do Ceará
· História (não possui linha de pesquisa específica)
http://www.ufc.br/
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
· Natureza, Relações econômicas – sociais e produção dos espaços
· Cultura e Representação espaciais
http://www.ufrn.br/
UFPA – Universidade Federal do Pará
· História e natureza
· Trabalho, Cultura e Etnicidade
http://www.ufpa.br/
UNB – Universidade de Brasília
· Identidade, tradições e Processos
· Sociedade, Instituições e Poder
· Teoria e História da Arte
http://www.unb.br/
UCG – Universidade Católica de Goiás
· História (não possui linha de pesquisa específica)
http://www.ucg.br/
UFG – Universidade Federal de Goiás
· História, Memória e Imaginários sociais
· Identidades, Fronteiras e Cultura de Migração
· Sertão, Regional idades e Projeto de Integração
http://www.ufg.br/
UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso
· História, Territórios e fronteiras
http://www.ufmt.br/
UFES – Universidade Federal do Espírito Santo
· Sociedade e Movimentos Políticos
· Estado e Políticas Públicas
· Arte
http://www.ufes.br/
UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora
· Poder, Mercado e Trabalho
· Narrativas, Imagens e Sociabilidades
http://www.ufjf.br/
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
· História social da cultura
· História e culturas políticas
· Ciência e cultura na história
http://www.ufmg.br/
UFU – Universidade Federal de Uberlândia
· História cultural
· Política imaginária
· Trabalho em movimentos sociais
· Linguagens, estética e hermenêutica
http://www.ldc.com.br/uniube/
USP – Universidade de São Paulo
· História cultural
· História dos movimentos e das relações sociais
· História política
· História da ciência e da técnica
· Escravidão e história atlântica
· Historiografia e documentação
http://www.usp.br/
UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
· História da arte
· História cultural
· História social
· Política, Memória e cidade
http://www.unicamp.br/
PUC – SP – Pontifica Universidade Católica de São Paulo
· História social
· Cultura e trabalho
· Cultura e cidade
· Cultura e representação
http://www.pucsp.br/
PUC – RIO – Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro
· Teoria e historiografia
· História cultural
· História da arte e arquitetura
http://www.puc-rio.br/
UFF – Universidade Federal Fluminense
· Cultura e sociedade
· Poder e sociedade
· Economia e sociedade
http://www.uff.br/
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
· História (não possui linha de pesquisa específica)
http://www.ufrj.br/
UFPR – Universidade Federal do Paraná
· Cultura e poder
· Espaço e sociabilidades
· Intersubjetividades e plural idades.
http://www.ufpr.br/
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
· Relações sociais de dominação e resistência
· Relação e poder político
· Cultura e representações
· Teoria da História e historiografia
http://www.ufrgs.br/
UPF – Universidade de Pato Fundo
· Política e cultura
· Espaço, economia e sociedade
http://upf.tche.br/
UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina
· História do tempo presente
http://www.udesc.br/
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
· Política da escrita, da imagem e da memória
· Migrações, construções sócio-cultural e meio ambiente
· Relação de poder e subjetividade
· Trabalho, sociedade e cultura
http://www.ufsc.br/
Por: Alisson Meneses de Sá

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

UMA CERTA GIOCONDA

Seus traços são um tanto quanto expansivos, possuidora de uma protuberante barriga, que extrapola os limites da saliência. Cria na sua face às características de mulher rechonchuda. A sua obesidade é permanente desde sua juventude, o que a deixava frustrada, sempre como alvo de críticas quanto ao seu desleixo físico. Era assim a nobre Gioconda, sempre mimada por sua mãe que a protegia de toda má situação que se colocava. Fosse financeira ou amorosa, até no corre-corre de estudante que Gioconda sempre fora.
Foi numa mesa de praça de alimentação dum shopping que Gioconda ficou frente a frente com sua inimiga, antes desconhecida e agora mortal. Entre duas garrafas de água mineral a vida de Dagoberto era destrinchada. Um verdadeiro campo minado se tornou aquela mesa, o barulho das pessoas em movimento fora silenciado, nada mais a sua volta era tão importante quanto aquela conversa. A outra possuía as mesmas características físicas de Gioconda, o único diferencial é sua idade mais avançada. Aparentemente Dagoberto, que é um moreno alto, atlético de classe média, estava mantendo relacionamento firme com as duas. Sabe-se lá o que justifica esse interesse peculiar de Dagoberto para com as duas fofinhas, por assim dizer. Gioconda estava se envolvendo com Dagoberto recentemente, os dois tinham se conhecido através desses sites de relacionamento, já a outra, estava há mais tempo, onde ela afirma que sempre viveram as turras, ela ciumenta, possessiva e ele um garotão despreocupado. Naquela mesa onde as duas resolveram colocar os pontos nos is, toda palavra tinha que ser meticulosamente estudada antes de ser dita, as duas estavam aparentemente jogando o jogo do amor enganado. Gioconda, por ser mais nova e super apaixonada por Dagoberto, sentia-se desesperada com tudo que a outra pronunciava a respeito dele, estava Gioconda pronta a terminar seu relacionamento, e o que mais lhe amargurava era ficar distante daquele homem que tantas vezes lhe realizava na cama, ela nunca tivera um homem que lhe desse tanto prazer no sexo como o cretino do Dagoberto.
A outra desmascarou de forma seca toda a história que a envolvia com Dagoberto, o negrinho pobre como ela chamava em momentos de fúria. Estava ele tentando se reconciliar com ela, mas estava profundamente magoada, pois na noite do aniversário dele ela fora preterida, onde teve a certeza da boca de Gioconda que ele ficou com ela. Mas aquilo não era nada, apesar de tudo, ele passou o natal e o réveillon com ela, numa ceia comemorativa, junto com os amigos dele. Aos poucos Gioconda desvendava a vida de Dagoberto, até sobre a relação sexual entre a outra e ele, o que a deixou mais ainda perplexa.
Dagoberto devia uma certa quantia à outra e por conta da vida dupla que o mesmo estava tendo e que a outra já vinha percebendo, resolveu assim cobrar a dívida, o que não faria caso não tivesse motivos. As cobranças foram reforçadas mais quando Dagoberto reforçou seu envolvimento com Gioconda, dando-lhe maior atenção. Sentindo-se rejeitada e enganada a outra resolveu chantagear Dagoberto com fotos comprometedoras entre os dois. As ameaças estavam amedontrando de certa forma o cafajeste do Dagoberto que via na própria Gioconda a possibilidade de ter sua dívida sanada e assim se livrar de uma vez da relação com a outra.
Foi a partir desse medo constrangedor que Gioconda resolveu ter com a outra e colocar tudo em pratos limpos. Diante, uma da outra, selaram um compromisso, iam se unir em prol da tragédia que se tornaria a vida de Dagoberto sem o luxo que a outra poderia proporcionar e do sexo fabuloso que Gioconda tem a lhe oferecer. Tava certa Gioconda que nada daquele acordo iria cumprir, é claro, estava ela chocada com tudo aquilo, mas o que mais lhe importava era ter a certeza de que Dagoberto não mais se encontraria com a outra o deixando livre para usufruir o máximo do que ele sempre a proporcionou. Sexo, óbvio.

Por: Alisson Meneses de Sá

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TÁ NA PELE

As marcas grafadas no corpo, conhecidas especificamente como tatuagem, teve e tem adesão em todas as classes sociais, raças, continentes, enfim, a tatuagem conota uma forma de expressão artística tanto para os índios, quanto para os negros escravizados como nos brancos de várias épocas. Foi durante a chegada dos europeus na América que se percebeu corpos desnudos e decorados com cicatrizes azuladas, o que na verdade significava a sua origem tribal ou que marcava momentos de passagem como a puberdade ou mudanças de status (de menino para guerreiro ou a de inimigo para escravo). As cicatrizes tinham que ser feitas por um material cortante como espinhos, dentes de animais e até diamantes. O pigmento azulado percebidos pelo europeu Henri Estienne, vinha do jenipapo. Os desenhos jamais se comparam com os sofisticados utilizados na atualidade, eram desenhos geométricos e rudes. Quanto às tatuagens dos negros escravos eram chamados de escarificação, eram indicações da origem familiar, do Reino, do Pesídio e do lugar onde nasceram. A palavra tatuagem surge na Polinésia, onde os nativos usavam espinhas de peixe ou ossos de passarinho, ambos finíssimos para injetar na pele pigmentos a base de carvão ou ferrugem tornando, assim, inapagável. Na sua língua chama esse processo de tatau. Já no Taiti a onomatopéia do som levou pra uma versão inglesa o termo tattoo. Marinheiros, operários, prostitutas e criminosos são adeptos da moda da tatuagem no século XIX. No Brasil não foi diferente, após a abertura dos portos começa a disseminar a tal arte de grafar na pele humana. A conotação criminal, ou por melhor dizer, de baixo nível, é originária exclusivamente de países católicos e ocidentais, já nos países protestantes como Alemanha, Holanda e Inglaterra os reis, imperadores e aristocratas adornavam e seus corpos, significando o conquistador branco. Até o final do século XX a tatuagem era marginalizada e produzida pessoalmente por tatuadores amadores (alguns eram marinheiros de passagem). No Brasil Knud Harld Likke Gregersen fez história no ramo de tatuar, deixou a marinha para viver do ofício de tatuar, onde aprendeu com seu pai. Chegou ao Brasil em 1959, em 60 foi tema de matéria na folha de São Paulo, mas foi nos anos 70 que Tattoo Lucky, como ficou conhecido nacionalmente, fez sucesso na arte de tatuar, por conta exatamente da febre nos Estados Unidos das peles tatuadas de artistas pop, como foi o caso de Janis Joplin. Aderiram primeiramente a moda, os surfistas e os antenados na moda, nesse contexto os hippies. A segregação da tatuagem no Brasil ganha a classe média urbana através dos surfistas, no mais, para celebrar essa mania contagiante Caetano Veloso, músico da MPB cria rimas, enaltecendo numa canção, surfistas e suas tatuagens. Tratava-se do movimento contra-cultural que tomava os meios de comunicação, levando estilo pra todo país, assim crescendo o mercado em várias regiões, principalmente no Rio, São Paulo e em Salvador. O resultado dessa exacerbação artística está aí, ta na pele do povo brasileiro.

Por: Alisson Meneses de Sá
Referência Bibliográfica
MARQUES, Tony. Questão de pele. Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Ano 4. Nº 40. Janeiro de 2009.

SÓ UMA NOITE

Sucedeu-se tudo conforme imaginei, foi somente uma noite, única noite de diversão à três. Eu, ele e ele. Nada incomum se não fosse a minha pouca experiência nesse jogo com mais dois jogadores. Eles, acostumados estavam com o lance. Eu, encabulado, curioso, ansioso permaneci antes do ato. Criei uma expectativa que por hora vejo que foi sumariamente frustrada. Vi-me dentro daquele relacionamento pagão, discutindo, indagando, trazendo um pra perto do outro, me sentindo de fato como a própria Cristina de Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen, apaziguando uma relação desgastada e conflituosa. Penso que talvez tenham tido algum tipo de conflito, pois jamais poderia dizer que seria 100% pros dois, obviamente pendi pra um dos lados que convenientemente me favorecia e aquilo pode ter causado um atrito no casal. Longe de mim ser motivo de intrigas de relacionamentos entre casais de anos de convivência, não teria jamais esse extinto perverso e destruidor, na verdade entrei na jogada com um único intuito que foi me divertir, e provar dessa nova experiência um tanto quanto instigante e satisfatória. Fiquei completamente destemido de toda vergonha que estava embutido quando me vi pelado naquela cama, separando um e outro. Tive que pensar em algo forte que não fosse aquela vergonha latente, incorporei ali naquele momento um personagem, o mais vagabundo dos personagens cinematográficos fazendo um ménage à trois de primeira qualidade, me dispondo para as duas pessoas que estavam ali, ávidas por uma noite diferente no seu relacionamento conjugal. Fui um GP gratuito por assim dizer, pois o que valeu mesmo foi o prazer a mim atribuído.

Por: Alisson Meneses de Sá

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O INÍCIO DA PESQUISA

Como tudo na minha vida se inicia como quem não quer nada, assim de forma que menos possa esperar, foi daí que surgiu, assim de repente, lendo uma matéria da Revista de História da Biblioteca Nacional, uma matéria que se debruçava sobre a leitura das tatuagens e sua concepção artística, desde a cultura dos índios até os dias atuais com técnicas mais sofisticadas e permanentes. Foi como uma luz no fim do túnel esse achado tão especial tendo como autor Tony Marques que é jornalista e editor do Fantástico, programa dominical da Rede Globo e autor também de Brasil Tatuado e outros mundos, obra essa que ainda passará pelas minhas mãos para um processo de avaliação e inclusão dos vários aspectos cognitivos que a arte na pele pode trazer. Após muito pensar, após ler a matéria, me vi completamente impulsionado em me desbravar por esse caminho da história cultural, já me debulhando em leituras referenciais desse processo antropológico que está embutido nas artes, nesse caso a tatuagem. Fazendo assim um retrocesso, indo buscar lá atrás através de documentos, bibliografias, imagens, todo tipo de gravura uma vez deixada pelo homem, para poder explicar hoje o significado das marcas permanente da tatuagem, hoje tido como moda e tempos atrás marginalizados. O foco da pesquisa estará evidentemente por uma questão de estética regional, vinculada ao pequeno estado de Sergipe, desenhando com isso toda a história da tatuagem uma vez aqui estabelecida, buscando referência oral e documental, saindo da periferia até o centro urbano para enriquecer de forma concisa todo o objetivo da minha pesquisa historiográfica. Que me perdoe a Pedra da Paciência com o processo de tombamento que pretendia desenvolver inicialmente e que me perdoe mais recentemente François Hoald, artista plástico sergipano, na qual estava profundamente ligado através de suas obras em estado de esquecimento. Aqui compartilharei com todo achado da minha pesquisa, divulgando através de textos, fichamentos, resenhas, enfim, documentos que possam no final de toda pesquisa, sustentar um trabalho de conclusão de curso, como também, me oferecer à chave para entrada no curso de mestrado em História da Arte.

Por: Alisson Meneses de Sá