segunda-feira, 31 de março de 2008

SEGUNDA CRÔNICA EM: SEMANA SANTA ÀS AVESSAS

ÚLTIMA PARTE


Por conta da noite de ontem eu me acordei no sábado de aleluia disposto, me acordei tarde, me sentindo com o corpo super descansado, com muita vontade de acontecer, logo me deparei na casa com algumas pessoas que já tinha acordado não me recordo quem, depois fiquei sabendo que a leprosa já tinha deixado a casa, pois tinha que voltar a Betânia, por conta da colheita do trigo que necessita de mão de obra. Não sabemos ao certo de como estava o estado da leprosa, pois saiu sem que ninguém percebesse. O ritmo da casa se acelerou com o tempo, depois que todos tomaram seu desjejum, e devo aqui salientar que fiquei abismado com a quantidade de comida digerida por Maria, a gestante, onde José, o piedoso, se dispôs a preparar com bastante afinco sua comida. O almoço teve a contribuição de muita gente, eu coloquei os desocupados do Judas e Pedro para descascar algumas verduras, eu me prontifiquei a fazer um arroz com cenoura, que na verdade pareceu blocos de arroz. Eu estava com muita sede se beber algo e logo me vi tomando vinho queria logo me animar, compensar o dia perdido. Assim que almoçamos nos aglomeramos na varanda e óbvio ficamos observando Maria Madalena contar causos da sua vida e fazendo algumas paródias com os vizinhos que tinham sido bastantes solícitos conosco nos oferecendo além de petiscos uma torta magnífica de macaxeira, que na verdade não deu pra quem quis.
Depois de se dispor a limpar toda a cozinha com uma habilidade surpreendente, Pôncio Pilatos arrumou sua bagagem e sentindo saudosa pela falta que a leprosa lhe causara, voltou pra sua terra de origem a Betânia, talvez fosse ver se tirava a bela leprosa dessa vida inferior que lhe foi oferecida. Após a reunião na varanda recebemos a presença ilustre de Jesus que chegou com Barrabás, este por sua vez chegou bastante tímido, se assustando com tanta irreverência e alto astral naquela casa, em seguida avistamos na praça esportiva um contingente de pessoas se aglomerando e se posicionando para jogar vôlei, daí resolvemos interagir com aquele pessoal, Jesus foi na frente, se sentindo o supra sumo, em seguida fui eu, interagindo com o pessoal pra saber se podíamos fazer um time pra jogar contra, fomos super bem recebidos por todos. A partida rolou até altas horas da noite, onde seguimos após a partida de vôlei para outra de queimado, foi quando percebi que meu joelho não estava muito bem, que tinha acontecido algo de errado, mal podia dobrá-los que sentia forte dores, resolvi me afastar do jogo, por conta da marcação cerrada comigo, como era um jogado bom, todos se viam ameaçados por mim e logo queriam me atingir. Afastei-me do jogo e junto com Judas, em seguida fomos tomar banho de rio, lá colocamos algumas coisas pra fora num papo filosófico, coisas que tínhamos reparado há muito e que tinham se concretizado naquele dia, depois do papo dentro do rio voltamos e pudemos verificar que o jogo já tinha acabado, fomos tomar banho na casa e percebemos em seguida que Maria e José tiveram um desagravo, coisa séria, José já não estava mais na casa, tinha ido pra Betânia, estava se sentido sozinho pela falta de atenção de Maria. Escutávamos a discussão dos dois, pois Maria gritava ao telefone, verificamos que a coisa tava feia, Jesus percebendo o clima péssimo da casa e adiantando que iríamos morrer de fome cuidou em ir pra cozinha e fazer algo para nos alimentar, tentou transformar a água em vinho e o pão em peixe, talvez tenha feito tal milagre, pois não percebemos pela situação de fome que todos se encontravam. Depois do jantar fomos mais uma vez pra varanda e lá nos prontificamos a ficar até quando toda a vodca acabasse, começamos a beber e Maria Madalena se mostra disposta a enlouquecer naquela noite, os goles ingeridos eram enormes, onde percebemos que logo, logo estaria descompensada. Assim que acabamos toda a bebida resolvemos seguir a indicação de alguns aborígenes da região, nos situando das festas que ocorrera naquele dia, fomos numa verdadeira procissão pela cidade de Jerusalém, saindo do Monte das Oliveiras, a cidade tava polvorosa, a primeira estação que fomos não encontramos nada, a festa já tinha acabado por conta de uma chuva que dera, seguimos na mesma procissão em direção a segunda estação indicado, lá percebemos que um trio posicionado tocava MPB, nada a ver com o que esperávamos, talvez quem sabe uma música brega, pois estávamos prontos, ou seja, cheio de álcool.
Maria Madalena, não desgarrando da sua origem adúltera, pois se sentia protegida por Jesus seu salvador está ali presente, se mostrava uma verdadeira mulher da vida, se dispondo com todos ali na festa, sem medo de ser apedrejada em praça pública, demorou. Alguns instantes depois, Pedro, José de Arimatéia e Judas resolveram ir embora, não estavam se sentindo bem ali, demorando um tempo mais, José, Maria e o leproso resolveram também deixar o local, só ficando eu Jesus e Maria Madalena. Continuamos a beber cerveja, enquanto Maria Madalena rodopiava por todo ambiente da festa, eu e Jesus discutíamos sobre várias coisas e não vimos o tempo passar, já era tarde, quando chamamos Maria para se juntar a nós e voltar ao Monte das Oliveiras, quando esta, completamente alcoolizada recusou, nada podíamos fazer, daí resolvemos deixá-la, seguimos outro caminho desconhecido por mim, mas conhecido por Jesus, e como dois loucos e sentido-se um leve frescor de liberdade, resolvemos cantarolar pela cidade, dançando em cantando chegamos ao Monte das Oliveiras quando percebemos que todos dormiam, a casa estava num silêncio só, resolvemos acordar todos, fomos pro quarto do leproso e começamos a cantar, depois fomos em direção ao quarto da Caifás que nem sequer mexeu o corpo, e pra finalizar fomos ao quarto mais cheio o de José, Maria e Judas, ficamos na porta eu e Jesus a cantar em voz alta, ligando e desligando a luz, pra ver se alguém primeiro reclamava, mas ninguém se prontificou a nos xingar, cansamos e resolvemos parar, estávamos exaustos, Jesus colocou a rede de Maria Madalena na varanda e se deitou, eu me retirei do Monte e fui pra praça, queria ficar quieto um pouco, depois de uma hora retornei pra casa, percebi que Jesus não estava mais na rede e agora dividia a cama com Caifás, fui na cama onde estava peguei meu cobertor e fui deitar na rede, num local mais fresco.
Subitamente me acordo com uma brusca queda de chuva e como a casa não é lá essas coisas, me vejo com uma goteira na rede, onde tenho que me levantar e sair dali o mais rápido possível. Armo a rede no meio da sala, mas me sinto desconfortável e procuro um local pra dormir, percebo que na cama onde dormia com Judas, Maria Madalena dorme, esparramada na cama, vou pro outro quarto e vejo um lado da cama onde o leproso se encontrava vaga, me deito lá e espero todos se levantarem, vejo que logo as pessoas começam a se movimentar por dentro da casa e assim todos se levantam, Maria Madalena é a última a se colocar de pé, quando estou passando pra cozinha a vejo ainda enrolada num lençol, quando olhou pra mim começou a ri, depois me lembrei por qual motivo ela ria, ela ontem, no auge da sua loucura sentou no meu colo, eu a agarrei, coloquei a mão por debaixo de sua saia e penetrei meu dedo em seu ânus, foi esse o motivo de tanto contentamento, me recordo ainda que depois que retirei meu dedo do ânus dela levei ao nariz de Jesus de Nazaré que ficou bêbado e loucamente agarrou minha mão não querendo jamais soltar.
Todos estavam se sentido péssimo naquele dia era o último dia de todos. Cedo Caifás, o sonolento, se prontificou a deixar a casa, em seguida o leproso também teve que deixar a casa, depois pude perceber que Pedro, aquele que renegou cristo por três vezes quando estava sendo condenado, não estava na casa, juntamente com Pôncio Pilatos, o bondoso, os dois deixaram a casa assim que chegaram da festa, a casa estava vazia, meu joelho estava por demais dolorido, me recordo depois que Barrabás também tinha deixado a casa ontem antes do galo cantar, mas que voltaria hoje para se despedir do Monte das Oliveiras, depois que almoçamos percebemos pessoas se concentrando no campo de vôlei, eu não estava com a mínima condição de jogar, mal conseguia caminhar, fui assistir, junto com Maria Madalena e Judas, enquanto Jesus demonstrava sua habilidade, quando pouco antes de deixarmos a casa ao longe percebemos a chegada de Barrabás com mais um outro assaltante, vieram com várias bolas de vôlei dispostos a pernoitar naquele campo, só que sua alegria durou pouco tempo, Barrabás não arriscou nenhuma partida mas o outro assaltante que o acompanhava demonstrou categoricamente pra que veio, depois da demonstração esportiva posamos para fotos já de malas arrumadas, celebramos aquele momento histórico e voltamos para Betânia numa condução repleta de pedintes, percebo que uma senhora pobre que conduzia em sua mão um saco plástico cheio de ervas com manjericão, eva cidreira..., o cheiro empesteou toda a condução, as pessoas ao lado da senhora comentavam aquele cheiro insuportável ali dentro, eu achava tudo aquilo cômico, Maria Madalena ria da situação e eu ficava sem graça, querendo obviamente fazer comentários acerca aquela situação mas não conseguia por conta da proximidade das pessoas a minha volta. Descemos já em Betânia e lá nos despedimos com esperança de nos encontrarmos mais vezes num retiro espiritual igual a esse, realizado no Monte das Oliveiras.

Por: Alisson Meneses de Sá

domingo, 30 de março de 2008

FIM DE SEMANA MARCANTE EM: À HORA DO ADEUS

Não pensem vocês que a foto ao lado trata-se da chegada dos ex-exilados, uma vez expulsos do Brasil por conta da devastadora ditadura militar, excludente e armada contra a força intelectual que lutava contra a forma irracional da polícia política da década de 60 e 70. A foto nada mais é do que uma forma histórica de celebrar o divertimento, a interação, a alegria, e, sobretudo, a vida, onde todos demonstraram suas respectivas capacidades de concretizar a amizade. Eu sou o de camisa branca com chapéu na cabeça, o primeiro da direita pra esquerda, onde devo confessar que nessa foto me encontro extremamente acabado, estou segurando o joelho devido a uma contorção que tive na noite anterior numa partida de vôlei com alguns desses que me acompanham na foto, com uma cara de completo cansaço físico, pois a prática de esporte é inexistente na minha rotina. Em pé encontra-se, da direita pra esquerda, Thiago, Bruno e Anderson Muniz, este último tendo uma forte predileção para jogador de vôlei, sempre ganhando em todas as partidas que estava, os outros dois só ousaram interagir nas partidas de queimado. Já sentado, depois de mim temos, Carlos, que foi outro que além de demonstrar ótimas técnicas de vôlei tem também ótimas técnica de treinador, os gritos dado por ele quando eu errava um lance, até hoje ecoa nos meus ouvidos, na seqüência temos um nativo da região chamado Duende, Pimentão e outros apelidos, inclusive o do presidente do Iraque que não me recordo o nome no momento, mas que saliente que o nome é maior do que esse texto que escrevo, que logo que nos prontificamos a jogar vôlei ele se aproximou fazendo logo contatos intergalácticos, se mostrando sempre muito educado e por sorte nossa e aviso dele, ficamos sabemos de eventos na região, que obviamente nos tirou de um possível tédio, em seguida temos André com um Poá no pescoço, onde se tornou a figura marcante da região e da casa, entrou em contato com todos os vizinho da área e se mostrou solícito em tudo, expondo sua categórica irreverência, após André temos dois nativos, só me recordo o nome do primeiro, o de camisa branca que se chamava Marcão, ou para nós, Papai Vanoli, apelido cedido por André, o último de short azul se mostrou um grande jogador de vôlei, eu me recusava a recepcionar as bolas mandadas por ele, sempre trocando de posição. A ilha de Santa Luzia, local onde habitamos por quatro dias, tirando dessa conta Carlos e Anderson, que chegaram ao penúltimo dia, jamais será a mesma depois dessa nossa temporada. Na verdade esse quadro de pessoas na foto deveria ser bem maior, o número de residentes era muito grande, por volta de 15 pessoas, sem contar os demais nativos que interagiram conosco na partida de vôlei e de queimado. Em verdade eu vos digo, o fim de semana marcante faz menção exatamente ao momento de despedida, quando nos sentimos arrastado para a realidade, hora, os quatros dias ali naquela ilha foi um verdadeiro sonho e que na verdade muitos sentirão falta. Foi na ilha, confinados numa casa que coisas aconteceram e que ficarão por toda uma vida...

Por: Alisson Meneses de Sá

quinta-feira, 27 de março de 2008

QUINTA DE QUINTA EM: FELICIDADE

Ainda estou comovido com aos recados de felicitações que recebi ontem, por isso não criei dentro de mim, hoje, um clima, um espírito de indignação que pudesse aqui expor, não que não tenha exisito durante a semana, mas é por causa da emoção que estou, deixarei pra próxima semana uma publicação ao nível de uma quinta de quinta. Saliento que hoje me encontro muito feliz, num sei por qual razão, mas é algo bem natural, algo interno, sem muita explicação e na verdade pra que explicação não é?

Por: Alisson Meneses de Sá

ESPECIAL DE AGRADECIMENTO

Agradecer é algo que pouquíssimas pessoas aprenderam e conseguem fazer com maestria, pois, o agradecimento é algo natural que se aprende dentro de casa, na educação familiar e também no convívio escolar, este último com pouca freqüência. Agradecer é algo instintivo sem necessitar ter um esforço estratosférico nem alegórico para somente dizer um “muito obrigado”, ou mais economicamente “obrigado”. O efeito que essa palavra reflete como forma de agradecimento numa outra pessoa é tão fantástico que só passando por uma situação de desagravo que podemos sentir o potencial avassalador da palavra.
Sem mais delongas e me sentindo uma pessoa amável, querida e de fácil acesso, utilizo-me do artifício de agradecer a todos o carinho recebido ontem, por uma quantidade de pessoas, que até agora estou surpreso, foram felicitações de várias pessoas, pessoas muito queridas e outras nem tanto, de pessoas que conheço há séculos e outra que conheci no final de semana passado, mas que só o fato de ter me enviado um simples parabéns me fez sentir alguém especial. Continuando com toda minha alegria e vontade de viver que poucas pessoas sabem, enfrentando a péssima situação que estou vivendo nesses últimos tempos, onde me sinto fortalecido.
Em primeiro lugar devo aqui mencionar as mulheres que fazem parte da minha vida, mulheres fabulosas que só me faz admirá-la a cada instante, a cada segundo, são as mulheres da vida: minha mãe, minha avó Tita e minha outra avó Alaíde, essas são minha essência, da primeira adquirir a beleza, da segunda a alegria da terceira a elegância, minha irmã Tássia, nossa como eu a amo, minhas comadres Davina que me deu um presente fabuloso, ser padrinho de João Gabriel, o anjinho da minha vida, e Shirley que também me presenteou com uma verdadeira princesa, uma sapequinha que tanto me faz ri, Maria Clara. Aos homens da minha vida devo aqui me curvar em agradecimento a meu pai, que não se faz mais presente nesse plano, mas que me deixou uma herança fabulosa que é a simplicidade de lidar com as pessoas humildes, sempre se colocando do outro lado, a meu avô Luiz, um pai insubstituível, o verdadeiro homem.
Uma vez eu afirmei que amigo é diferente de família porque amigo agente escolhe para conviver e de fato assim continuo afirmando, se alguém que você escolhe pra dividir suas alegrias e tristeza não corresponde a tais perspectivas agente tem o poder de excluí-las do nosso convívio, com uma pequena dor por não acertar na escolha, mas com o saber de que na próximo será melhor. E nesse jogo de seleção eu garanto que hoje eu tenho amigos que carregarei dentro do meu coração por toda uma vida, hoje isso ficou mais claro, pois, são pessoas que a sensação de segurança por está ao lado deles é completa. É nessa escala que se encontra Miguel, meu irmão, meu amigo, meu primo, meu psiquiatra, uma pessoa que além de tudo é inteligente em lidar com a razão, mas um pouco lento ao lidar com as emoções, mas, talvez seja isso que sempre nos mantenha ligados, porque sabes de todos os problemas que passo e categoricamente sabe estender seu braço amigo nas horas de choro. Thiago Duque, outro amigo, se ao menos ele tivesse o coração mole, conseguiríamos ri mais e chorar mais, mas vejo que isso faz parte de sua personalidade e por isso tenho esse carinho imenso por ti e sei que a recíproca é verdadeira porque basta olhar dentro dos seus olhos pra saber o que sente no coração. Valmor, meu amigo de faculdade que se tornará amigo pra toda uma vida, se não fosse você, tenho certeza que eu passaria pela universidade incógnito, mas nos juntamos e marcamos nosso nome naqueles corredores, foi muito divertido passar todo aquele tempo me deliciando dos comentários que fazíamos nos corredores, a ti vai um agradecimento mui especial. Fagner, uma pessoa que ainda deve ser estudada, seus sentimentos são um enigma para os estudiosos, e talvez seja essa condição enigmática que me faça gostar tanto de sua companhia, de ri com as loucuras proferidas, sempre com astral lá nas alturas e que talvez sinta dificuldade de colocar pra fora angústias e dissabores, mas saiba que mediante essa condição o meu sentimento pro ti sempre será verdadeiro. Bruninho, uma explosão de emoção, ser iluminado, de sentimentos verdadeiros e que sabe explorar conforme a situação ofereça e isso me faz sentir a verdadeira vibração dos seus sentimentos, sentindo-me confiante em está ao seu lado, só posso dizer que continue sempre assim. Nunca pensei que pudesse escrever sobre esta pessoa, posso até me enganar, mas a vida é isso de erro e acertos, mas por conviver contigo por 4 dias pude perceber a pessoa fabulosa que é, André, eu acredito que as pessoas precisem ter pessoas como você a lado, o mundo seria muito melhor, eu consigo perceber em você um ser iluminado e agradeço do fundo do meu coração a transformação que fez durante esses dias, pois, esses dias tinha tudo pra ser desastroso, pelas situações vividas na semana que antecedia nosso encontro, devo isso a você e exijo a sua presença com mais freqüência no nosso grupo de amigos.
Passaria aqui dias e mais dias escrevendo sobre pessoas fabulosas, mas num contexto geral, essas pessoas complementam minha essência como um todo.
A todos, meu muito obrigado, como é importante receber o carinho dos amigos.

Por: Alisson Meneses de Sá

quarta-feira, 26 de março de 2008

QUARTA ARTÍSTICA EM: JAN STEEN NO SÉCULO XVII

Fixando-nos na imagem acima, podemos perceber as várias informações que ela nos oferece, delineando minuciosamente os movimentos de cada personagem e dos objetos. A priori, podemos perceber através das vestimentas do personagem o tempo ali presente, talvez por volta dos séculos XVI, XVII, XVIII, onde adentrando ainda mais na imagem verificamos através da janela um casarão, certificamos, assim, que a imagem representa uma região mais evoluída, descartando a hipótese de ser a região, uma colônia européia, por conta também do uso do chapéu, adereço verificado nos homens.
A movimentação da imagem nos oferece mais informações, olhando o foco principal da imagem, a mulher no centro, que segura na mão direita uma jarra e na esquerda uma taça de vinho, tendo apoiado nas suas pernas a perna esquerda do seu companheiro, com um leve sorriso nos lábios a moça dá pouca atenção ao que a senhora de preto, posicionada no lado direito da imagem diz ao homem sentado, a senhora de preto por sua vez, levantando o dedo, fala num tom de indignação, e por sua vez, o homem, sentado, pouco lhe dá ouvidos, rindo de tudo que a mulher, seriamente, diz, algo referente à religião, pois o homem com um pato nas costas ler uma suposta bíblia.
Destrinchando ainda a figura, podemos analisar a condição da casa, a precariedade no cuidado doméstico, daí percebemos ainda no fundo uma espécie de babá que cochila enquanto as crianças, acordadas, se divertem com os objetos que estão ao seu alcance, verificando a pouca higienização, com a mistura de animais dividindo o mesmo alimento com os moradores e as crianças da casa. A luxúria na imagem é tão evidente que a mulher do centro deixa o homem do seu lado colocar uma flor no seu colo enquanto o músico entoa cantigas ao fundo dando a perceber o ânimo da casa.
Precisamente a imagem nos faz entender que se trata de um período em que a fé andava abalada, as pessoas viviam angustiadas por conta da miséria vivida e pouco davam importância com as leis divinas, onde o número de pessoas descrentes crescia abruptamente. As pessoas não se importavam com o amanhã nem com a pós morte, o cristianismo que vigora na Idade Média estava em declínio é quando Lutero encabeça a reforma dentro da igreja e conseqüentemente se afasta, dando início ao cisma buscando agora correr atrás dos descrentes, pregando um formato mais moderado de pedir perdão a Deus e alcançar as graças divinas sem cobrar indulgência, como fazia os católicos.
Jan Steen perfeitamente delineia o que estava acontecendo na Europa do século XVII, usando de cores fechadas para demonstrar a obscuridade do tempo ali vivido, sem muita perspectiva.

Por: Alisson Meneses de Sá

ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO

Chega um tempo na vida que percebemos estarmos mais maduros, preparados para a vida, e é nesse momento que procuramos dar valor aos sentimentos, procurando lidar com eles controlando mais as nossas ações e sensações. Nesse momento é a hora de enfrentarmos nossos medos, nossas angústias e entrar na batalha a favor da vida, enfrentando tudo aquilo que nos aflige de forma às vezes radical, minimizando o medo da morte ou encarando-a de frente, saboreando o doce gosto do risco que é viver.
Sinto o prazer de envelhecer por está mais capacitado a controlar minha carência afetiva, não sinto mais medo de está sozinho ou me sentir sozinho, não sei se o tempo me acostumou ou se de fato aprendi, com o tempo, a gostar de selecionar as pessoas que devem está ao meu lado, não me importando com a solidão; perdi o medo da angústia que me batia quanto a sensação de solidão era fatídica, mas o pavor de ter piedade foi mais arrebatadora e agora sou capaz de abominar qualquer sentimento que antes podia me dar uma sensação ruim. Não consigo mais tolerar a rabugice das pessoas, sinto-me incapaz de conviver com esse estado de espírito que só tem a me diminuir como espécie, quero está ao lado de pessoas de espírito elevado, de alegria contagiante e inteligência apurada, que me faça ri nas horas de riso e que me faça chorar nos momentos propícios. A tolerância a alguns comportamentos é algo que sinto mais apurado nos meus sentidos, pois um simples olhar feio ou uma simples palavra ofensiva, que antes não era inatingível, hoje é algo que passa pelos meus sentidos e lá são processados como sendo algo de bom ou ruim e daí fazendo a minha seleção natural adaptativa daquilo que foi expresso.
O poder de seleção é o grande agravante dessa minha nova perspectiva, talvez eu possa afirmar que seja o mais importante, porque é dele que sinto a segurança antes desconhecida. Antes conseguia gostar de todos com o mesmo valor, sem muito distinguir características, hoje consigo dar valores e sentimentos, me afastando sobremaneira daqueles que tem valores abaixo da média, é a chamada seleção natural das coisas. A seleção me deu o poder de ver a malícia dentro das pessoas, coisa que não me pertencia, pois me sentia incapaz de tal ato por me sentir só, tanto no presente ou futuro, era algo angustiante e hoje se tornou saboroso selecionar quem de fato deve está em minha companhia, que seja por um dia, dois, um mês, dois meses, um ano ou por toda uma vida, isso agora me é permitido simplesmente porque o amadurecimento me dá esse privilégio, como também me é dado o direito de nem sequer desfrutar um segundo sequer com alguém que eu ache não merecedor do prazer que é estar ao meu lado.
Mais seleção e pouca tolerância são os guias que conduzem os meus sentidos.

Por: Alisson Meneses de Sá

TERÇA RETRÔ EM: ARACAJU SITIADA - II

Percebemos anteriormente que a cidade de Aracaju vivia num turbilhão de acontecimentos revoltosos, querendo medidas urgentes contra o ataque sofrido pelo submarino alemão. Tanto a classe baixa como a alta saia em manifestações nas ruas da cidade. Diante de todos esses acontecimentos o interventor de Sergipe Augusto Maynard manda avisar ao presidente Vargas que o estado estava pronto para qualquer tipo de ataque que pudesse defender o território brasileiro.
De fato a cidade de Aracaju se preparou para qualquer tipo de ataque e as passeatas e comícios tornaram-se corriqueiros, se espalhando pelo interior com intuito de esclarecer a sociedade sergipana tudo que estava se passando no seu litoral. Começamos então a perceber que o medo não só estava no mar, mas também ao nosso lado, um possível vizinho, quem sabe, poderia fazer parte da quinta-coluna. Suspeitos eram presos e depois soltos, pois não tinham provas suficientes. As pessoas viviam amedrontadas, tanto por um possível ataque quanto de ser confundido com um integrante da quinta, onde as agressões a estes últimos eram aterrorizantes, partindo sempre de estudantes.


Em 31 de julho de 1943 um novo torpedeamento, agora atingindo o Bagé. Dessa vez a cidade não recebia a notícia com tanto medo como fora os primeiros torpedeamentos. A cidade se prepara para o ataque, os rádios e jornais noticiavam o treinamento para a população para um provável ataque com exercícios de blecaute. A população vivia polvorosa, onde sequer um fósforo poderia ser acesso para não dá sinal.
A polícia aproveitando do poder que lhes era dado abusava assim da sua patente contra os cidadãos, onde estes não podiam passar das 22:00h e se estivessem sem documentos eram levados presos, sendo amarrados ao cavalo e conduzido até a delegacia.


Os treinamentos deixavam toda a população aflita, pois os aviões davam freqüentes rasantes pela cidade e atingiam pontos já estratégicos, sem contar os pontos em que metralhadoras eram posicionadas nas ruas da cidade. Alguns populares faziam buracos no quintal de suas casas, para na hora do ensaio aéreo se esconder.
E assim viveu a população aracajuana, desde o primeiro torpedeamento até os ensaios de blecaute e os aéreos, se imbuindo do nacionalismo pouco visto nos dias atuais e se projetando na esfera nacional como fator decisório quanto à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e assim eu finalizo todo esse contexto com uma frase de Antônio Lindvaldo de Souza, que escreveu, Aracaju: memórias de uma cidade sitiada (1942-1945) “Isto é o pouco que sei. Essa foi a história que aprendi...”

Por: Alisson Meneses de Sá